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EUA após superterça

6 de fevereiro de 2008

A disputa acirrada entre Hillary Clinton e Barack Obama prossegue nos Estados Unidos, mesmo após a "superterça". Quem pode ganhar com o empate são os republicanos, opina Daniel Scheschkewitz.

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Fascinado e esperançoso, o mundo inteiro volta os olhares para os Estados Unidos. Fascinado, porque a disputa pela candidatura entre os democratas Hillary Clinton e Barack Obama é mais do que uma luta política entre gigantes – a competição é ao mesmo tempo um duelo entre gêneros e cores da pele. Esperançoso, porque também o terceiro entre os concorrentes com as maiores chances, o republicano John McCain, promete um distanciamento nítido da desacreditada era Bush.

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Daniel Scheschkewitz

Esta esperança foi realimentada na "superterça", nas prévias realizadas em mais de 20 estados. Obama e Clinton continuam na corrida, havendo leve vantagem para a ex-primeira-dama, graças aos bons resultados que ela obteve na Califórnia. O suspense na disputa entre ambos pode prosseguir até o final, levando o Partido Democrático a enfrentar um teste crucial. Obama congrega a juventude e a maioria dos afro-americanos; Clinton, as mulheres e os hispânicos – os imigrantes da América Central – um grupo de importância crescente.

McCain, por sua vez, saiu claramente vencedor desta prévia eleitoral, e o mundo faria bem em se ocupar mais deste veterano de guerra que entrou na disputa na condição de "zebra". Pelos mais diversos motivos, não é nada improvável que o 44º presidente dos Estados Unidos também seja um republicano.

De qualquer forma, McCain ultrapassou claramente nesta terça-feira o mórmon conservador Mitt Romney. Ele provou ser capaz de computar pontos não apenas no norte dos EUA, como em New Hampshire, e nos estados sulinos, como recentemente na Carolina do Sul, mas também na liberal Califórnia, na costa ocidental.

Como diz um ditado alemão, quando dois brigam, o terceiro dá risada. É bem possível que John McCain, então com 72 anos, assuma no ano que vem na Casa Branca como o presidente norte-americano de idade mais avançada no início de um mandato.

O republicano, que passou cinco anos como prisioneiro dos vietcongs, durante a Guerra do Vietnã, poderia ser visto por muitos americanos em novembro como o menor risco. Diferentemente de Hillary Clinton, McCain demonstra serenidade; não é carcomido interiormente pela própria ambição, como a ex-primeira-dama. Ele tem humor, é rápido nas respostas e, com sua longa experiência em política externa, com certeza mais previsível do que Obama com sua inexperiência em questões de segurança.

John McCain adquiriu prestígio próprio, independentemente do presidente em exercício, por se opor a Bush em questões relevantes como a maneira de conduzir a guerra no Iraque ou o debate sobre o campo de prisioneiros em Guantánamo. É liberal no tocante à imigração, uma questão importante para os EUA. E seria capaz de reconquistar a confiança mesmo dos desiludidos aliados de seu país.

Pela primeira vez em 20 anos, a escolha dos candidatos às eleições norte-americanas pode transformar-se numa maratona. Pode durar ainda semanas, se não meses, até que um dos concorrentes democratas consiga arregimentar um número suficiente de delegados. Tempo bastante para os norte-americanos e o resto do mundo se acostumarem a John McCain. (lk)

Daniel Scheschkewitz, ex-correspondente em Washington, chefia atualmente a equipe de repórteres da Deutsche Welle.