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Migração

Opinião: "Zonas de trânsito" é papo furado

Políticos alemães usam essa expressão como se ela fosse um meio mágico para resolver a crise dos refugiados, mas a verdade é que se trata de uma asneira totalmente irrealista, opina o jornalista Felix Steiner.

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Felix Steiner é jornalista da DW

Às vezes, termos que ninguém conhecia dominam, em poucos dias, a discussão política. Desde o fim de semana, na Alemanha, todos falam sobre a criação de "zonas de trânsito" nas fronteiras alemãs.

Trava-se uma discussão entre a União Democrata Cristã (CDU), a União Social Cristã (CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD) – quer dizer, dentro do governo federal – que dá a impressão de que essa ideia, por si só, poderá resolver o problema dos refugiados e controlar o fluxo de pessoas que entram na Alemanha.

Não há nada errado em aguardar com interesse o projeto de lei a ser anunciado pelo ministro do Interior, Thomas de Maizière, mas basta um momento de reflexão para ficar claro para qualquer ser humano minimamente inteligente que as "zonas de trânsito" não podem ser a cura para todos os males. A situação na fronteira entre a Alemanha e a Áustria não é nem de longe comparável à situação num aeroporto.

Os abrigos ao largo das principais estradas teriam de ser enormes para acomodar os recém-chegados durante o tempo necessário para a verificação de suas procedências e análise do seus pedidos de asilo.

Esses abrigos teriam de ser protegidos por cercas de arame farpado para que ninguém fugisse de lá. Uma rápida olhada na história recente da Alemanha proíbe algo assim. Além disso, esses abrigos seriam ineficazes, já que os refugiados poderiam simplesmente evitá-los. Então por que todo esse debate?

Para agradar o eleitorado. Para dar a impressão, diante da enorme mudança de opinião sobre os refugiados na sociedade alemã, de que se está fazendo alguma coisa: Nós estamos agindo! Nós levamos suas preocupações e medos a sério! Nós vamos resolver o problema!

Esse é um jogo arriscado, pois com tais propostas e debates cria-se grandes expectativas, especialmente em índoles mais simples. Expectativas que – mesmo que esses planos fossem colocados em prática – não poderiam ser preenchidas. E então?

A chanceler federal alemã – que nunca fará um grande discurso sobre a crise de refugiados, mas que pelo menos já se expressou num programa de televisão e numa entrevista de duas páginas no maior tabloide alemão – já deixou clara a sua linha: o fechamento da fronteira pela polícia ou por militares não acontecerá enquanto ela estiver no poder. Ela não só considera isso inadequado, como também impraticável. Para ela, trata-se de definir como serão o acolhimento e a integração.

O problema é: nem a aceleração dos procedimentos de asilo nem a rápida construção de centros de refugiados geram manchetes rápidas, ou seja, dão à população a boa sensação de que os políticos estão fazendo algo. Há cem anos, Max Weber já disse: política é a perfuração lenta de tábuas duras.

Merkel anunciou na semana passada que tem um plano. Qual poderia ser segue sendo um mistério. Talvez seja o seguinte: nesta segunda-feira (12/10) foi anunciado que a chanceler federal visitará a Turquia no próximo domingo. Como a massa de refugiados que chega à Alemanha passa pela Turquia, é claro que lá está um elemento-chave para a regulação do fluxo de pessoas.

Assim, cada euro que a Alemanha der ao governo da Turquia para melhorar a situação dos refugiados no país melhora também a situação em solo alemão. Que esse dinheiro vá para uma liderança cada vez mais autoritária e que está no meio de uma campanha eleitoral – bom, esse sapo a chanceler terá que engolir. Essa ideia pode não dar uma boa manchete, mas pelo menos é realista.

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