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Mundo

Opinião: Vitória da razão

O acordo histórico entre protestantes e católicos devolve a autonomia à Irlanda do Norte. Leia a opinião de Irene Quaile-Kersken, da redação inglesa da DW-RADIO.

Opinião

Após cinco anos de domínio central britânico, a Irlanda do Norte deve passar a ter autonomia administrativa a partir de 8 de maio próximo. É o que prevê o acordo anunciado nesta segunda-feira (26/03) pelo católico Gerry Adams, líder do partido republicano Sinn Féin, e pelo reverendo protestante Ian Paisley, do Partido Unionista Democrático (DUP).

A assembléia parlamentar norte-irlandesa fora criada após o chamado acordo da Sexta-feira Santa, que em 1998 pôs fim aos longos anos de guerra civil. Em 2002, o governo britânico suspendeu o referido Parlamento, durante uma briga sobre as acusações de que o Exército Republicano Irlandês (IRA) havia espionado a assembléia.

Irene Quaile-Kersken, da redação inglesa da DW-RADIO, opina:

Irene Quaile, DW-Radio english, Leiterin Features

Irene Quaile-Kersken

Durante gerações, considerava-se impossível um acordo entre católicos e protestantes. Ian Paisley, conhecido por sua intransigência e suas manifestações de ódio em relação aos católicos, encontrou pela primeira vez seu arqui-rival Gerry Adams, presidente do Sinn Féin, o partido político do IRA, que já foi sinônimo de violência e terror.

Os dois acertaram a formação de um governo conjunto, chefiado por Paisley e tendo como vice-chefe Martin McGuinness, um ex-comandante do IRA. A força simbólica e o sinal que é dado ao povo por esta aliança não devem ser subestimados. Depois de décadas de inimizade, finalmente a união?

Não é por nada que Paisley fala de um "fundamento para um futuro melhor" e Gerry Adams vê o "início de uma nova era política". A DUP de Paisley saiu das eleições como partido levemente mais forte. No geral, os dois partidos têm forças semelhantes. Numa província em que a intolerância e o ódio são incitados há décadas desde a infância, nenhum dos dois lados confiaria num governo somente do "outro lado".

Se o acordo for concluído, o governo britânico brindará a Irlanda do Norte com um bilionário pacote de ajuda. Desgastado pela guerra no Iraque, o primeiro-ministro Tony Blair precisa urgentemente de um sucesso, antes de entregar o cargo em alguns meses. Seu sucessor designado, Gordon Brown, pode se alegrar em ter um problema político interno a menos na agenda para a iminente luta com os ressuscitados conservadores.

Na União Européia que cresce rapidamente, o conflito na Irlanda do Norte – também na forma de inércia parlamentar – é um anacronismo. Tolerância religiosa e política, bem como cooperação construtiva entre os partidos rivais são a base para o desenvolvimento da comunidade. Os arqui-rivais deram um primeiro passo importante. Pode-se desejar sorte aos líderes do novo governo e muito fôlego para o desenvolvimento pacífico de uma região que durante décadas só era conhecida por seu "conflito".

Irene Quaile-Kersken trabalha na redação inglesa da DW-RADIO.

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