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América Latina

Opinião: Veredicto na Venezuela fortalece a oposição

O governo venezuelano está agonizando. A condenação exagerada do líder oposicionista Leopoldo López é uma prova de medo por parte dos chavistas, opina a chefe do departamento América Latina da DW, Uta Thofern.

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Uta Thofern é chefe do departamento América Latina da DW

Treze anos, nove meses, sete dias e 12 horas (!) numa prisão militar como pena por convocar uma manifestação, este é claramente um veredicto político. Mas, com isso, foi o próprio regime chavista que se aprisionou em primeira linha.

O governo venezuelano queria tirar de circulação uma figura de liderança da oposição. Afinal de contas, segundo as últimas pesquisas de opinião, o carismático López seria atualmente o candidato presidencial mais promissor, à frente mesmo do prudente Henrique Capriles. López ganhou essa vantagem durante os seus 18 meses de detenção. Com o veredicto, ele vai ser elevado agora à condição de mártir, e a oposição está mais unida que nunca, pois López e Capriles puseram de lado as suas diferenças em prol de uma esperada vitória eleitoral em dezembro.

Além disso, a condenação é outro duro golpe contra a imagem já denegrida da Venezuela no exterior. Depois da leitura da sentença, o ex-chefe espanhol de governo Felipe González foi o primeiro a falar o que muitos pensam: "A Venezuela se transformou numa ditadura de fato."

Embora os governos dos países latino-americanos imediatamente vizinhos se mantenham fiéis ao princípio da não ingerência, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, só deve contar com o apoio aberto de muito poucos aliados. Com o veredicto, a cautelosa aproximação com os EUA permanece descartada até segunda ordem, já que a libertação de López era uma das principais exigências de Washington para a normalização das relações.

Na própria Venezuela, o impacto da propaganda estatal parece estar enfraquecendo gradualmente. Nem denunciar a oposição como golpista, fascista, terrorista ou de qualquer forma perigosa, nem relatar supostas tentativas de golpe, tampouco instigar conflitos externos, como foi o caso com Guiana e Colômbia, vão conseguir mudar alguma coisa na situação miserável da maioria dos venezuelanos. A realidade é mais forte que as palavras, prateleiras vazias, preços ascendentes e falta de medicamentos não podem ser negligenciados. Sem Hugo Chávez, o chavismo perdeu seu carisma.

Se as eleições venezuelanas transcorrerem livres e justas, a oposição vai ganhar. Mas não porque a maioria dos venezuelanos esteja realmente convencida de seu programa de governo, mas porque a administração Maduro, com seu neocomunismo bolivariano, fracassou. O índice de aprovação do presidente venezuelano gira em torno de pouco menos de 25%. Seu sucessor terá de eliminar um tremendo caos econômico, sem descuidar do equilíbrio social. Essa tarefa hercúlea poderia vir a dissolver rapidamente a atual coesão oposicionista, disso os eleitores também suspeitam.

Para que a Venezuela vivencie realmente uma virada democrática, a oposição precisa apresentar um programa econômico convincente e assegurar ajuda internacional. E não pode cometer erros, ou seja, tem de evitar confrontos violentos, como nas manifestações de um ano e meio atrás, como também não deve se deixar provocar.

Imediatamente após a sua condenação, López pediu à esposa que dissesse a seus apoiadores para manter a calma e a dignidade. Se esse for o caso, então as palavras que proferiu em seguida poderão se tornar realidade: "É o povo venezuelano quem vai remover de mim essas algemas."

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