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Mundo

Opinião: Varoufakis já vai tarde

Ele falou demais, fez de menos e era um provocador presunçoso em quem ninguém confiava. A renúncia foi a melhor coisa que Varoufakis já fez, mas pode ser tarde demais, opina o correspondente em Bruxelas, Bernd Riegert.

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Bernd Riegert é correspondente da DW em Bruxelas

A surpreendente renúncia ao cargo foi o maior serviço que o ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis já prestou ao seu país. Sua saída vai facilitar enormemente novas negociações sobre um terceiro pacote de resgate com os credores – se essas negociações vierem mesmo a acontecer.

Nenhum dos ministros das Finanças da zona do euro confiava nesse provocador presunçoso. Com suas táticas impertinentes de negociação, Varoufakis conseguiu arruinar a confiança dos outros 18 ministros. Ele não tinha e nunca teve aliados. Nunca foi capaz de convencer seus parceiros europeus – de quem precisava.

Mas a sua renúncia vem tarde demais. Junto com seu primeiro-ministro, o economista conduziu a Grécia à falência. O país está a apenas um passo de sair da zona do euro.

Esse popstar desajustado do partido Syriza pode ter sido um pesquisador brilhante, mas nunca foi um bom político. Ele próprio admitia isso. Agora, Varoufakis finalmente tirou dessa prova de autoconhecimento a sua conclusão lógica.

Nos cinco meses em que permaneceu no cargo, ele se manteve teimosamente arraigado às suas teses da campanha eleitoral e aos seus livros. Era um talento da autopromoção e um profissional no trato com a imprensa.

Então Yanis Varoufakis começou a espalhar falsidades, a enganar, a insultar e ofender seus parceiros de negociação. Ele quebrou todas as regras do Eurogrupo e, até o final, não reconheceu que só pode existir ajuda dos credores em troca de condições.

Em muitas ocasiões, Varoufakis enviou sinais contraditórios a seus "parceiros" – que ele xingou de chantagistas, terroristas e torturadores.

Numa ocasião, disse que a Alemanha já havia pagado demais pelo resgate grego e que ele não queria mais dinheiro. Depois exigiu que os credores subsidiassem a Grécia e cancelassem parcelas enormes da dívida grega. Ninguém conseguia entender isso no Eurogrupo.

No seu ministério, que ele mal conheceu por dentro, ele não fez muita coisa. Não que ele fosse responsável pelo estado em que o ministério se encontra. Isso foi obra de vários de seus antecessores.

A culpa dele é não ter deslanchado reformas radicais. Ele falou demais e fez de menos. As receitas do Estado grego sofreram uma queda profunda, e ele é corresponsável por isso.

De maneira quase cínica, ele declarou que o problema da política tributária grega não é o percentual do VAT (imposto sobre o valor agregado), mas a incapacidade das autoridades em recolher o imposto. Como ministro, ele poderia ao menos ter tentado mudar essa situação.

Sua renúncia é a redenção para o Eurogrupo e tomara que também para os gregos. Ela não foi de todo voluntária, se observarmos atentamente as declarações confusas de Varoufakis em seu blog. O premiê Alexis Tsipras sacrificou Varoufakis como uma oferenda aos credores. Talvez esse sacrifício tivesse ajudado duas ou três semanas atrás, mas agora ele provavelmente chega tarde demais.

Agora, o estridente professor Yanis Varoufakis finalmente pode começar a usar seu valor de mercado como rebelde eloquente no circo da mídia. Ele certamente vai escrever um livro sobre sua curta experiência como o pior e mais insuportável ministro das Finanças da zona do euro e pagar tributo ao seu engajamento "sobre-humano".

Por favor, não compre o livro, não ouça as palestras dele e não assista aos talk shows que o convidarem.

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