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Mundo

Opinião: Vítimas em uma ilha deserta

Sob o presidente Vladimir Putin, a liberdade de imprensa foi fortemente restringida na Rússia. Somente após perder o emprego como redator, o jornalista Oleg Kaschin pôde escrever sobre o que ele considera pertinente.

Imagine uma ilha deserta. Uma dessas que aparecem em caricaturas. Uma colina de areia no meio do oceano onde cresce uma palmeira. Você se preocuparia por ela não ter uma casa de ópera, um aeroporto, uma biblioteca ou lan house? Claro que não. Ela é somente uma ilha inabitada. Lá não há nada e não pode ter cafés ou teatro.

E agora reflita: como pode haver liberdade de expressão em um país se não há alternância no poder, divisão de poderes, tribunais independentes, autonomia local, sociedade civil, concorrência política e faltam muitas outras coisas? Como seria se no meio da ilha deserta houvesse, como uma palmeira, uma redação de jornal ou uma emissora de televisão? O que e quem se beneficiaria com isso?

Noticiar o que Putin quer

Na Rússia há funcionários públicos e até parlamentares que nunca deram uma entrevista em toda sua vida. Isso porque eles sabem que, na realidade, existe somente um patrão. O presidente é, ao mesmo tempo, o que elege e o chefe.

E a sua reclusão me parece ser sincera, já que as atividades de ministros e parlamentares nas mídias, quando vão a programas de televisão ou respondem jornalistas, são previamente combinadas de forma minuciosa com os gabinetes de imprensa. Por que alguém deve jogar esse jogo ou representar algo que não existe?

Há três anos eu perdi meu emprego e isso foi muito doloroso. Mas, olhando para trás, fica claro para mim que o desemprego forçado na Rússia de hoje é o único que dá a chance de expressão para alguém que tem algo a dizer.

Eu não tenho superiores e ninguém pode me demitir. Ninguém pode me obrigar a escrever algo que eu não quero. Antigamente isso poderia ser definido com a bonita palavra freelancer.

Escrever para diversos meios de comunicação, o que eu faço, incluindo a Deutsche Welle, faria de mim apenas um freelancer. Mas, nas atuais circunstâncias da Rússia, isso representa muito mais. Isso porque os canais de televisão e jornais não oferecem um diálogo direto com o público.

"Eu farei investigações jornalísticas e isso mudará o mundo. Eu serei aquele que noticia as novidades que levam a decisões." Eu não acredito nisso. Ele talvez seja válido em outros países que são construídos de maneira diferente da Rússia de hoje.

Eu vejo que o meu trabalho é incentivar o diálogo entre as pessoas. Realizá-lo, no entanto, fica cada vez mais difícil enquanto meu país cada vez mais afunda em uma nova realidade política.

Oleg Kaschin é um dos jornalistas investigativos russos mais conhecido. Ele é um dos críticos do déficit democrático da Rússia. Em 2010, Kaschin foi atacado por desconhecidos e ficou gravemente ferido. Ele tem uma coluna semanal no site da DW Rússia.

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