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Mundo

Opinião: Um resultado amargo para Bruxelas

Um governo de coalizão em Ancara teria agradado mais à UE. Agora, a Europa terá de se submeter às vontades de Erdogan, caso queira ajuda na crise migratória. Uma posição desconfortável, opina Barbara Wesel.

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Barbara Wesel é correspondente da DW em Bruxelas

Queremos um governo estável em Ancara, foi dito oficialmente pela União Europeia (UE) antes da eleição de domingo. Mas poucos esperavam que o presidente Recep Tayyip Erdogan alcançaria uma vitória tão esmagadora. Será que as pesquisas de opinião pública foram novamente imprecisas? Ou será que a eleição não foi realizada de forma idônea?

Como se a recém-eclodida guerra contra os curdos, os atentados ainda não esclarecidos, a repressão à oposição e o fechamento de meios de comunicação críticos ao governo não fossem suficientes para pôr em dúvida a qualidade democrática das eleições.

A ironia da história é que a UE tem negligenciado um diálogo com o "sultão do Bósforo" durante anos. E nem era preciso discutir com Erdogan, já que as negociações de adesão da Turquia já estavam congeladas de qualquer maneira. E, desta forma, um governante cada vez mais autocrático tem prosperado na porta da UE – algo não notado efetivamente por Bruxelas, por possuir, de fato, questões mais importantes para enfrentar.

Mas agora os europeus estão na situação desvantajosa na qual eles precisam mais de Erdogan do que ele precisa da Europa. Sem ele, não existe uma solução para a crise de refugiados que ameaça dividir a União Europeia. Mas o presidente turco não se abala mais com pressão política: seu poder está assegurado e, sob um olhar da política interna, os 2 milhões de migrantes sírios na Turquia não são uma ameaça para ele. Aparentemente, o povo turco está recebendo-os com serenidade.

Erdogan está, portanto, na confortável posição de poder alavancar arbitrariamente o preço político até mesmo para concessões mínimas. Observadores de Bruxelas afirmam que agora se seguirá uma longa fase de bazar diplomático. E muitos acreditam que o presidente turco possui as melhores cartas.

Seguindo o exemplo da chanceler federal alemã, Angela Merkel, os líderes da Europa vão fazer uma peregrinação até Erdogan e terão de se inclinar perante o presidente turco. Uma situação desagradável. A UE está agora à mercê de Erdogan, disse um veterano eurodeputado. Infelizmente, isso é verdade – e o presidente turco vai saborear cada momento disso.

A questão para os europeus não é mais sobre se eles devem abrir mão de seus princípios básicos para garantir a cooperação com os turcos, mas o quão longe eles devem ir. Se os países da Europa Oriental possuíssem o mínimo de perspicácia política, iriam perceber que um compromisso interno na UE seria melhor do que deixar o destino de tal maneira dependente do autocrata em Ancara.

Mas como discernimento não cai do céu, estaremos diantes de negociações difíceis e dolorosas. Os europeus terão que se perguntar diversas vezes o quanto valem seus valores democráticos.

É uma liquidação em parcelas: os europeus já perderam a chance de se impor no caso do pequeno ditador na Hungria. Agora eles têm perante Erdogan, que está no caminho para se tornar o grande ditador da Turquia, poucos argumentos e nenhum meio de pressão política para exigir democracia.

As próximas negociações sobre se – e sob qual preço – o presidente turco desencorajará refugiados a seguir viagem e fará o papel de guardião da fronteira para a UE serão desagradáveis. A única carta na manga dos europeus é o desejo da Turquia de uma liberação do visto – algo economicamente importante para Erdogan. No geral, apenas cooperações econômicas farão o presidente turco optar por concessões na questão da crise migratória.

No entanto, nas negociações que estão por vir, os europeus não devem ultrapassar uma linha específica: a questão do tratamento dado aos curdos. Caso Erdogan não ceda, a UE terá que puxar a corda de vez e resolver a crise de refugiados sem ele.

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