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Mundo

Opinião: Um momento histórico, mas com questões em aberto

Acordo nuclear é notícia positiva para Oriente Médio e comunidade internacional. Mas terá que ser concluído o mais rápido possível, porque seus oponentes são muitos, opina Jamsheed Faroughi, da redação iraniana da DW.

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Jamsheed Faroughi, da redação iraniana da DW

"Acordo ou não?" – essa vinha sendo há questão por 12 anos. Os olhos do mundo se voltaram para Lausanne, onde a linha entre esperança e incerteza, entre sucesso e fracasso, era tênue. Ao fim, uma notícia boa para uma região pouco acostumada a isso.

O acordo prévio sobre a disputa nuclear é indubitavelmente um momento histórico – e não apenas para o Irã e o Oriente Médio, mas também para a comunidade internacional. Infelizmente, porém, o entendimento alcançado em Lausanne precisa ser recebido com grande cautela: o perigo está nos detalhes.

Não foi a primeira vez que negociações sobre o programa nuclear iraniano ganharam dimensões gigantescas ou se tornaram um jogo de pôquer. No fim, havia duas opções sobre a mesa: uma solução em que todos ganhavam, ou uma catástrofe em que todos perdiam. A razão acabou vencendo.

Foi um jogo sério, envolvendo questões-chave, com efeitos imprevisíveis para a política global. O fato de alguns dos políticos mais importantes do mundo terem dedicado tanto tempo ao assunto ilustra a importância das negociações para os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e a Alemanha – além do Irã.

Quando essa última rodada de pôquer nuclear começou em Lausanne, o secretário de Estado americano, John Kerry, e o chanceler iraniano, Mohammed Javad Zarif, provavelmente sabiam que não poderiam voltar para casa de mãos vazias.

A missão deles era clara: negociar pelo tempo que for necessário para chegar a um entendimento. E foi exatamente o que fizeram. Agora, um acordo fundamental foi alcançado. Mas o nível de esforço empregado foi realmente necessário? Foi o resultado que Irã e Ocidente estavam esperando? A resposta é clara: sim!

Para o regime iraniano, chegar a um acordo na atual conjuntura é essencial para sobreviver. A economia doméstica sofre severamente os efeitos das sanções: a vida financeira dos iranianos está cada vez mais desacelerada; uma inflação crescente devorou o poder de compra da população; o desemprego e a falta de perspectivas levam os mais jovens, em particular, à beira do desespero. Além disso, o perigo de uma nova guerra com a aliança árabe liderada pela Arábia Saudita também contribuiu para que Teerã finalmente dissesse "sim".

A situação é extremamente séria. Após os bombardeios aéreos contra os rebeldes houthis no Iêmen, a "guerra por procuração" entre Arábia Saudita e Irã entrou numa nova fase. A luta pelo poder no Iêmen tem potencial para incendiar o Oriente Médio. Esse seria apenas um campo de batalha em uma guerra muito maior em toda a região.

Os fracassos recentes em negociações nucleares haviam dado força aos opositores de um acordo. Isso estava claro para o governo iraniano e até para os ultraconservadores em torno do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Usar a diplomacia para contornar a disputa nuclear com o Irã é o maior êxito em política externa do presidente americano, Barack Obama. Mas o trabalho de verdade só está começando agora. O entendimento de Lausanne representa provavelmente uma solução para o conflito nuclear com o Irã. E a ênfase da frase está em "provavelmente". Afinal, os oponentes do acordo são muitos e poderosos, e terão três meses para destruir tudo que foi conseguido.

Após a notícia de sucesso em Lausanne, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi um dos primeiros a responder e criticar duramente o acordo. E ele claramente não está sozinho nessa posição – basta lembrar os aplausos que ele recebeu quando discursou no Congresso dos EUA. Também é importante não esquecer a carta que 47 senadores americanos escreveram ao governo iraniano ameaçando anular qualquer acordo quando Obama sair do poder.

Potências regionais, como Arábia Saudita, Turquia e Egito, também se opõem veementemente a um acordo nuclear com o Irã – assim como a própria linha dura iraniana. Superar o conflito em torno do programa atômico pode aproximar Teerã e Washington e levar o país persa de volta à comunidade internacional. E é exatamente isso que os opositores do acordo querem evitar.

O acordo – esperado por muitos há tempos – precisa ser concluído o mais rapidamente possível. Seus oponentes são muitos e poderosos.

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