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Mundo

Opinião: UE reafirma capacidade de gerir crises

Em contraste a fiascos diplomáticos recentes, a atuação da UE em Minsk foi prova de seu peso na política mundial. Mas não se deve esquecer que não existe uma coesão europeia, opina a jornalista da DW Barbara Wesel.

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Barbara Wesel, jornalista da DW

Esgotados, céticos, mas também um pouco satisfeitos, os participantes da maratona de negociações em Minsk puderam desfrutar um pouco o reconhecimento de seus colegas, na cúpula da União Europeia desta quinta-feira (112/02).

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, mostrou suas olheiras e sua incrível resistência, e se ateve a uma avaliação cautelosa do acordo revisado. Tanto ela como seu companheiro de negociações, François Hollande, se referiram em Bruxelas apenas a uma esperança de paz: mais, eles não conseguiram alcançar, sob as circunstâncias dadas. Mas com isso mostraram que a UE é francamente capaz de agir como gestora de crises e protagonista na política externa.

Um dos motivos do sucesso, neste caso, foi a atuação de dois grandes Estados-membros que, apesar de separados por diferenças pessoais, estão unidos pela história de cooperação franco-alemã. Hollande e Merkel são suficientemente adultos para deixar de lado as disputas de detalhe sobre déficits nacionais, medidas conjunturais e similares, uma vez que era mais importante atuar em conjunto sobre o presidente russo, Vladimir Putin.

O fato de que a Europa é capaz de alcançar resultados quando a França e a Alemanha colaboram mutuamente, confirmou-se mais uma vez no contexto da crise da Ucrânia – mesmo se um resultado realmente positivo está fora do alcance dos negociadores.

Seja como for, esse empenho europeu, de mostrar paciência e persistência diplomática quase ilimitadas, foi, em princípio, mais bem sucedido do que a ameaça dos Estados Unidos de fornecer armas ao Exército de Kiev, devidamente acompanhada por uma retórica de agressividade.

Apesar de seu medo de uma continuação dos combates no leste do país, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, também louvou a coesão da União Europeia.

E, no entanto, essa coesão é algo que não existe.

A política para a Ucrânia é um campo minado, e países como a Áustria ou a Hungria se sobressaltam toda vez que se fala de ampliar as sanções contra Moscou. À França, elas custaram o cancelamento da entrega um navio de guerra no valor de meio bilhão de euros.

Também a economia da Alemanha contabilizou perdas no comércio com a Rússia. E os agricultores poloneses receberam indenização da UE pela safra de maçãs não comprada pelos russos. Por esses e outros motivos, a UE tremeu várias vezes nas bases, nos últimos meses. Mas os europeus se arranjaram entre si.

Em outros casos, a unidade não funcionou. No conflito da Síria, a Europa fracassou tão lamentavelmente quanto os EUA: uns ficaram esperando que outros decidissem, e no fim ninguém agiu.

Desde os atentados em Paris, o avanço do "Estado Islâmico" (EI) e a ameaça de seus milicianos terroristas – nascida justamente desse vácuo de poder – demonstraram de forma brutal aos líderes europeus que no momento não há alternativa senão se unir na luta contra os fundamentalistas islâmicos dispostos à violência.

Outro atestado de uma política externa omissa é só agora a UE ter estipulado medidas como o armazenamento dos dados de passageiros aéreos, mais cooperação entre os serviços secretos, retirada da internet de incitações ao terrorismo, entre outras. Isso é a reação a uma situação emergencial pela qual o bloco é corresponsável.

Aliás é pena que, devido aos movimentos de afastamento de seu primeiro-ministro, David Cameron, o Reino Unido tenha se colocado totalmente à margem da política europeia.

Londres se desligou inteiramente da política externa, embora os britânicos sejam os que, ao lado dos franceses, mais experiência têm como o Oriente Médio e os países árabes. A hostilidade à UE cultivada pelos conservadores fez com que o Reino Unido agora só observe da plateia a política de Bruxelas – à parte uma ou outra declaração irrelevante sobre o euro e sobre a Grécia.

Por falar em Atenas, a enérgica presidente lituana, Dalia Grybauskaite, resumiu bem a questão, durante a cúpula em Bruxelas: "A Grécia agora não é, definitivamente, o nosso maior problema."

Mas será que os gregos sabem disso? A calmaria temporária só deverá durar até o próximo encontro dos ministros europeus das Finanças, na segunda-feira. Aí, o carro deverá ser novamente posto na frente dos bois, e um pequeno país colocará os próprios desejos acima dos interesses da comunidade.

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