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Mundo

Opinião: UE precisa de um sólido fundamento social e moral

Ao aprovar extensão da ajuda financeira a Atenas, parlamento alemão honra a escolha democrática do povo grego. Mas os atuais deficits da Europa não são só de natureza fiscal, opina o jornalista político Marcel Fürstenau.

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Marcel Fürstenau, jornalista político da DW

Na hora H, sempre se pode contar com Wolfgang Schäuble, mesmo que às vezes ele crie uma certa confusão. Antes mesmo de findar o prazo dado pelo Eurogrupo, o ministro alemão das Finanças rejeitou como imaturas as propostas de solução da crise de endividamento apresentadas pelo governo grego. Com isso, ele mostrou a Atenas quem é o senhor na casa europeia: Berlim. Mas também afrontou seus parceiros nas demais capitais, os quais, com razão, sentiram-se preteridos. No fim, contudo, a desigual família reunida em Bruxelas conseguiu encontrar um meio termo que preservasse a dignidade de todos: mais tempo para o paciente Grécia, mas sem mais remédio na forma de novos créditos bilionários dos paramédicos FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu.

Diante desse quadro, foi coerente Schäuble ter agora apelado com veemência ao Bundestag (câmara baixa do parlamento alemão) por uma prorrogação da ajuda financeira à Grécia. Pode-se acusar o ministro democrata-cristão de muita coisa. Por exemplo, de exagerar com seu curso de austeridade, no âmbito nacional como internacional, mesmo ao custo de choques sociais e estagnação da infraestrutura.

No entanto, Schäuble é um europeu convicto, que se ocupa seriamente do fantástico projeto de uma União Europeia, iniciado em 1951 com a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Por isso é com a experiência de 43 anos de parlamento que o político nascido em plena Segunda Guerra Mundial pronuncia frases como esta: "Solidariedade tem a ver com confiabilidade."

Ditas por outros, tais palavras não passariam de uma fórmula vazia. Saídas da boca de Wolfgang Schäuble, elas são um credo. Ele está convencido de que a comunidade dos 28 países-membros, dos quais 19 pertencem à união monetária, só terá futuro "se mantivermo-nos unidos na Europa".

O tesoureiro-mor da Alemanha quer dizer com essas palavras algo diferente do que entendem seus opositores parlamentares e extraparlamentares. Com seu reflexivo "sim" a uma reforma da ajuda para a Grécia, ele opôs um bem-vindo desafio a todos os populistas. E agitadores há por toda parte, na política, na mídia, nas ruas.

O grande teste para todos os envolvidos ainda está por vir. Schäuble e a maioria dos deputados alemães deram uma pausa para respirar à Grécia, mas também a si próprios. Ainda por muito tempo a pior criança-problema da família europeia vai criar dificuldades para si e para os outros: a Grécia tornou-se sinônimo da crise monetária.

Entretanto cabe não esquecer que os deficits da União Europeia são mais do que de natureza fiscal. O bloco só (re)conquistará credibilidade e atratividade tornando-se, no todo, mais transparente e mais democrático.

Transgressões de natureza financeira se fazem sentir de maneira especialmente dura. A Grécia não passa do exemplo mais brutal disso. A Europa precisa, finalmente, de um fundamento estável – social, mas também moral.

No momento, milhões por toda a UE não têm qualquer perspectiva econômica, e esse é o maior potencial explosivo. Mas a longa lista das demais prevaricações é intranquilizadora. Conta-se atualmente entre elas a repressão dos meios de comunicação na Hungria. Também na Itália a liberdade de imprensa sofreu danos durante a era do premiê Silvio Berlusconi. A independência da Justiça em Roma durante essa época é também muito questionável.

Por mais diferentes entre si que sejam as violações do Tratado de Lisboa, assinado por todos os Estados da UE: cada uma delas corrói o fundamento comum. Por isso, também para além dos delitos financeiros, a comunidade precisa agir de forma mais coerente e menos contraditória.

Quinze anos atrás, a pequena Áustria foi punida com sanções no nível bilateral e diplomático, quando o conservador ÖVP montou uma coalizão de governo com o populista de direita FPÖ. A grande Itália, porém, ficou ao largo de uma condenação oficial, embora a Liga Norte – em nada menos problemática do que o FPÖ – tenha várias vezes participado do governo em Roma.

Ambos os governos eram democraticamente legitimados. Por isso foi errado colocar a Áustria no pelourinho, na época. Também o novo governo em Atenas – de predominância socialista, mas dependente do apoio de um pequeno partido de direita – é democraticamente legítimo.

O ministro alemão das Finanças, que raciocina em termos europeus, honrou expressamente a decisão eleitoral da população grega, associando-a estreitamente à sua frase central: "Solidariedade tem a ver com confiabilidade." Isso se aplica à Grécia, mas também aos demais 27 países-membros da UE.

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