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Mundo

Opinião: Trump continua um risco para republicanos

Depois de Paris e San Bernadino, pré-candidatos debatem na TV sobre a luta contra o terror. E o fato de o magnata se destacar revela muito sobre a situação do partido, opina Gero Schliess, correspondente em Washington.

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Gero Schliess é correspondente da DW em Washington

Ele nunca esteve tão perto de seu objetivo como na noite de terça-feira (16/12). O que quase ninguém lhe creditava no início da campanha fica cada vez mais claro após o quinto debate dos pré-candidatos republicanos à presidência dos EUA: o homem que faz jus diariamente à sua reputação de valentão conservador e que atualmente denigre grupos religiosos inteiros poderá ser o próximo candidato do seu partido à Casa Branca.

Donald Trump veio para Las Vegas como o favorito entre os pré-candidatos presidenciais republicanos. E ele deixou o palanque ainda com mais força. Menos de 50 dias antes das primeiras grandes primárias, no estado americano de Iowa, este foi um sucesso crucial para ele.

Nesta noite, o que importou para Trump foi se afirmar como melhor candidato e determinar o rumo da discussão. E ele foi mais bem-sucedido que antes. O fato de o foco da discussão ter se voltado para a segurança interna e o combate ao terrorismo pode ter ajudado o magnata.

Uma questão sobre a qual – surpreendentemente – os americanos lhe atribuem, de acordo com as pesquisas, o maior nível de competência entre todos os pré-candidatos de seu partido. E isso apesar de seus ataques verbais contra latinos e muçulmanos estarem cada vez mais descarados. Recentemente, ele se deparou com duras críticas mesmo dentro da liderança do Partido Republicano.

Durante esse quinto debate, a questão que ficou em aberto foi: os concorrentes de Trump conseguirão tirar o pedestal desse candidato com ideias cada vez mais loucas? A resposta para essa questão pode surpreender muitos: foi justamente Jeb Bush quem conseguiu contra-atacar. Logo no início do debate, o irmão do ex-presidente George W. Bush desafiou o vaidoso bilionário, dizendo que Trump seria um candidato confuso e também viria a ser um presidente caótico.

Como os demais pré-candidatos republicanos, Jeb Bush criticou a controversa proposta de Trump com vista à proibição de entrada nos EUA para muçulmanos. Ao contrário de Trump, Bush conseguiu ser o mais convincente quanto a questões complexas de política de segurança, como o combate ao terrorismo, a solução do conflito na Síria ou a política de imigração. As próximas semanas vão mostrar se isso vai ajudar a dar um impulso de última hora à sua fraca candidatura.

No final, o "candidato-teflon" Trump também conseguiu escapar ileso disso, como também dos outros ataques significativamente mais leves por parte dos outros concorrentes. No entanto, o senador ultraconservador Ted Cruz, do Texas, tem se tornado nas últimas semanas um sério concorrente de Donald Trump. As últimas pesquisas apontam que, pela primeira vez, Trump perdeu para Cruz a liderança nas primárias do importante estado de Iowa.

Diante dessa situação, uma das perguntas de maior interesse antes do debate era se haveria um bate-boca entre Trump e Cruz. No entanto, ambos tentaram evitar o confronto aberto, tratando-se mutuamente com luvas de pelica e até mesmo com gestos de confraternização. Aparentemente, ambos estão guardando munição para o confronto final. Pode ser que entre eles haja algo como um acordo tácito de dividir a presidência entre si – um como presidente, outro como vice.

O jovem senador Marko Rubio, da Flórida, que foi capaz de expandir seu número de apoiadores nos últimos debates, pontuou desta vez com ataques individuais contra Cruz, mas ele não conseguiu repetir o forte desempenho de debates anteriores. Como esperado, a performance do inexperiente da política externa Ben Carson foi pouco convincente.

Quando Jeb Bush acusou, num de seus ataques, Donald Trump de adquirir seus conhecimentos de política externa a partir de talk shows, ele declarou uma verdade que não se aplica apenas a Trump. Quase todos os pré-candidatos presidenciais republicanos "brilharam" nesta noite, mais uma vez, por meio da falta de conhecimento, ignorância e uma visão simplista do mundo. Basta imaginar que um deles poderia assumir no futuro a responsabilidade pela política externa e de segurança dos EUA.

Isso também deve preocupar Angela Merkel e outros aliados europeus. Merkel pode estar apostando em silêncio no sucesso de Hillary Clinton, como muitos americanos que estão preocupados com as posições extremistas dos republicanos. Nesta noite, os pré-candidatos não só discutiram muito sobre os riscos de segurança: muitos deles se tornarão um verdadeiro risco, se os eleitores americanos lhe derem a oportunidade de se tornar presidente dos Estados Unidos da América.

O jornalista Gero Schliess é correspondente da DW em Washington

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