Opinião: Transporte grátis na terra do automóvel? | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 14.02.2018
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Alemanha

Opinião: Transporte grátis na terra do automóvel?

Agora sim os políticos alemães tiveram uma grande ideia: transporte público gratuito. Trata-se de uma tentativa desesperada de evitar as proibições de circulação, e ninguém sabe se é viável, afirma Jens Thurau.

default

Passageiros aguardam para entrar no metrô em Berlim

Digam agora que os políticos não são mais capazes de grandes reformas! Está lá, preto no branco, na carta que a ministra do Meio Ambiente, Barbara Hendricks, o ministro da Agricultura, Christian Schmidt, e até mesmo o chefe da Chancelaria Federal, Peter Altmeier, enviaram à Comissão Europeia, em Bruxelas: a Alemanha avalia um transporte público gratuito. Ao menos em algumas cidades. E somente se nada mais ajudar, se a qualidade do ar em algumas cidades alemãs simplesmente não quiser melhorar.

Imagine só: simplesmente entrar no ônibus, no bonde ou no metrô sem ter que pagar. Não há dúvida: aí muitos cidadãos deixariam seus carros em casa, e o ar ficaria melhor – ao menos no longo prazo. Onde mais existe algo parecido no mundo? Talvez na Estônia, na Bélgica, aqui e ali na Rússia. Mas na Alemanha, a terra das autobahns e dos carros potentes de luxo? Isso seria de fato uma novidade.

Com razão, a associação das empresas de transporte alertou que o crescimento no número de passageiros seria enorme, e que novos bondes, mais funcionários e talvez também novos trilhos custariam bilhões. O dinheiro seria bancado pelo contribuinte. Os três ministros signatários da carta veem a coisa do mesmo jeito. Eles propõem que os municípios que desejarem acabar com a cobrança sejam apoiados pelo governo. Só para deixar claro de que valores estamos falando: hoje, todas as cidades alemãs juntas faturam 12 bilhões de euros por ano com passagens de transporte público.

Assistir ao vídeo 00:56
Ao vivo agora
00:56 min

Alemanha em 1 minuto: Vida sem catracas

O que essa iniciativa surpreendente de Berlim deixa claro é o tamanho do nervosismo nos ministérios responsáveis: ao longo de anos, sobretudo os carros a diesel fizeram com que os limites de emissões de óxidos de nitrogênio nas cidades alemãs fossem ultrapassados sem que houvesse consequências. Em nove dias, o Tribunal Administrativo Federal, em Leipzig, vai decidir se proibições de circulação são legais quando as emissões estiverem muito elevadas. E as chances de que isso aconteça não são ruins.

Só que o governo – tanto o atual, interino, como também o próximo – quer evitar a todo custo as proibições de circulação. E a Comissão Europeia já sinalizou que as medidas até aqui adotadas pelo governo alemão contra a poluição do ar não bastam. Por isso a midiática cúpula do diesel, no ano passado, com a indústria automobilística, as promessas de carros menos poluentes e de melhorias nos carros a diesel.

Claro que as passagens gratuitas em ônibus e bondes não são uma má ideia. E quem mais, além dos alemães, conseguiria pô-las em prática? O sistema de transporte público já é muito bom, sobretudo nas grandes cidades. Mas gratuito? Quanto tempo levaria para os municípios se adequarem à onda de passageiros, vindos de todo o mundo? O ar vai mesmo ficar melhor? E o governo agirá com esse mesmo radicalismo contra os responsáveis, as fabricantes de automóveis e seus sistemas a diesel? Sobre tudo isso ninguém falou.

Antigamente, o grito de guerra da indústria automotiva alemã era "cidadãos livres devem viajar livremente!" Com isso, queria-se dizer que, na Alemanha, não havia limite de velocidade nas autobahns nem de potência para os motores. Liberdade era pisar no acelerador. E agora, quem sabe, o sonho de todos os ambientalistas, ciclistas e pedestres vai se tornar realidade pela porta dos fundos. Porque os políticos, por muito tempo, ignoraram quantos poluentes foram lançados no país do automóvel.

----------------

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados