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Mundo

Opinião: Tragédia grega está só no primeiro ato

Ameaças e chantagens dão tom teatral à crise entre Atenas e a zona do euro. Mas a parte realmente dramática virá na hora de fechar um terceiro pacote de resgate, opina o articulista Bernd Riegert.

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Bernd Riegert, correspondente da DW em Bruxelas

A Grécia não vai sair da União Monetária Europeia, e ponto final. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, disse essa frase durante a cúpula de crise com a Grécia, no último dia 19 de março. Outros participantes da reunião entenderam isso como uma ordem, uma instrução, e não como um mero desejo.

A Alemanha quer que a Grécia mantenha o euro. Não porque o governo radical de esquerda-direita grego apresenta um conceito convincente, mas sim porque a zona do euro não pode se dar ao luxo de perder seu membro mais fraco. A credibilidade da união monetária estaria condenada, a cotação do euro despencaria, e a integração europeia receberia um duro golpe.

Acima de tudo, a Alemanha, que supostamente domina a economia e a política europeias, seria responsabilizada pela catástrofe. Pelos gregos, inevitavelmente, mas também por muitos outros governos europeus e observadores internacionais do pesado drama. A chanceler federal quer evitar isso a todo custo. Imputações à Alemanha são algo que não pode haver, ainda mais sendo injustas e injustificadas.

Por isso, a tragédia no palco de Bruxelas continua. A Grécia ameaça com a própria falência e apresenta uma lista insuficiente de propostas de reforma. Os países da zona do euro rejeitam a lista e cortam quase inteiramente a ajuda financeira, a fim de aumentar a pressão. No momento, Atenas não consegue vender nem mesmo títulos de curto prazo da dívida pública. O Banco Central Europeu (BCE) parou de imprimir dinheiro para o país.

Ambos os lados se chantageiam reciprocamente, apesar das afirmações em contrário. O público lamenta e treme, como convém numa tragédia em grande estilo. As pessoas se perguntam quando chegará a catarse, a purificação, trazendo a redenção ao público – neste caso, o contribuinte europeu.

A Grécia precisa de dinheiro e, como último recurso, ameaça com a própria saída da zona do euro. Esta precisa da Grécia e tenta vencer pela fome o governo em Atenas. As vítimas imediatas são os próprios gregos: o crescimento econômico se aproxima de zero, as arrecadações fiscais escasseiam, saldos bancários são postos a salvo no exterior, a confiança dos investidores se precipita até as regiões negativas. Quanto tempo a situação ainda pode continuar assim?

Por um lado, o governo grego não teria mais como honrar suas dívidas, e a aí Atenas sairia automaticamente da zona do euro. Mas esta não deixará a coisa ir tão longe; o BCE ainda pode providenciar um pequeno capital de emergência. No último segundo, se poderia conceder um crédito de salvamento. O conflito em torno das dívidas seria prorrogado repetidamente.

Por outro lado, a Grécia poderia ceder e finalmente cumprir as exigências dos credores internacionais. Aí se apresentaria uma saída financeira, mas os dias dos radicais de esquerda-direita nos cargos governamentais estariam provavelmente contados, devido à impossibilidade de cumprirem suas exageradas promessas eleitorais. O possível resultado seriam eleições antecipadas e ainda maior caos político.

As tramas para a Grécia, que são passadas de uma mão para a outra em Bruxelas, terminam todas, infelizmente, como na tragédia grega: com o fim do herói.

E, no momento, isso é tudo por um punhado de bilhões, para que a Grécia sobreviva nas próximas semanas. A parte realmente dramática virá em meados do ano, na hora de fechar um terceiro pacote de resgate econômico, num total entre 20 e 40 bilhões de euros. Ou um pouco mais, caso a confiança no governo grego tenha sido ainda mais afetada.

Estes últimos dias de março são, portanto, apenas a primeira parte da tragédia. O verdadeiro festival teatral grego transcorrerá em meados do ano. A menos que Merkel mude de opinião e deixe, de fato, a Grécia cair fora.

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