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Mundo

Opinião: Terrorismo contra muçulmanos é um ataque à Europa

Lançar um carro contra pessoas indefesas e pacíficas é afrontar os ideais civilizatórios europeus e também fazer o jogo dos terroristas, opina o jornalista Kersten Knipp.

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Kersten Knipp é jornalista especializado em Oriente Médio da DW

O motorista de uma van branca que avançou na madrugada desta segunda-feira (19/06) contra um grupo de muçulmanos que havia acabado de sair de uma mesquita parece estar satisfeito com a sua ação. "Eu fiz a minha parte", bradou ele, segundo testemunhas, após sair de seu veículo. A sua parte: um ataque covarde contra pessoas indefesas e pacíficas, que vinham da oração.

Quem é o agressor? Um racista? Um fundamentalista cristão radical? Um cidadão por demais indignado? Até agora, a polícia não revelou a sua identidade. O certo é que ele se deixou levar por um dos crimes mais estúpidos e nocivos que se pode imaginar: o ataque a membros de um coletivo – ou seja, pessoas cuja única característica é pertencer a um grupo. Nesse caso, muçulmanos. Um crime de ódio grosseiro: o ataque desnorteado e, portanto, profundamente apolítico e muito abaixo de todos os padrões civilizatórios.

Isso também significa: um ato semelhante àqueles cometidos repetidamente, nos últimos anos, meses e semanas, pelos asseclas do grupo "Estado Islâmico" (EI). Crimes de incomparáveis covardia, infâmia e cinismo. O EI rebaixa os padrões étnicos e políticos de forma quase inimaginável.

Precisamente por essa razão, atos terroristas como o da madrugada desta segunda-feira são uma catástrofe não somente ética, mas também civilizatória. Pois quem age com uma van da mesma maneira como fazem os agressores do EI se coloca no mesmo nível deles: o de uma existência criminosa e mesquinha – homens jovens, cheios de adrenalina, incapazes de se controlar e de serem socialmente produtivos. O reservatório humano do EI é composto, em todo o mundo, de pessoas furiosas à margem da sociedade, cuja sede de destruição e sangue é legitimada pelos propagandistas do EI com algumas fórmulas simples de aparente justiça divina. A Europa civilizada não deve se equiparar a eles.

O que é a Europa? Sim, trata-se de um continente com um passado sangrento. Mas é também, ao menos no sentido de um padrão autoimposto, um continente de civilidade. Uma região que, apesar de todos os erros que cometeu, e também no Oriente Médio e no seu passado recente, como no Iraque em 2003, sempre volta a se questionar, aceita críticas e quer aprender com elas, também no lado ético. A expectativa autoimposta dos europeus é elevada: falar uns com os outros, e não trocar socos. E certamente não se aterrorizar mutuamente por puro ódio.

Um ideal bonito demais? Talvez. Mas, inegavelmente, também um que ainda dita a norma. Não é por acaso que a Europa, como este anos evidenciam, é a região política e tecnologicamente mais cobiçada: ela atrai pessoas de todo o mundo. Por isso mesmo o ataque em Londres é tão abominável. Ele afronta os padrões europeus.

E não somente isso: quem avança contra um grupo de muçulmanos com uma caminhonete se transforma em agente do EI. O grupo terrorista visa jogar, ou ainda melhor, incitar os muçulmanos e não muçulmanos uns contra os outros. O cálculo estratégico é fazer com que muçulmanos que se sintam rejeitados se voltem para o fundamentalismo, talvez até mesmo para o jihadismo – fazendo com que a espiral de violência avance.

Em resposta aos crimes de ódio dos últimos tempos, há apenas uma resposta adequada: inteligência e prudência europeias. O resto fica a cargo da mão firme do Estado.

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