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Mundo

Opinião: Solidariedade com franceses não basta

Além de palavras de amparo à França após ataques em Paris, é preciso uma política comum para refugiados. Maioria dos que chegam ao continente escapou do EI, e protegê-los é um desafio europeu, opina Volker Wagener.

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Volker Wagener é jornalista da DW

Meu Deus, quantos adeptos fanáticos do "Estado Islâmico" estão, atualmente, entre as centenas de milhares de refugiados na Alemanha? É preciso admitir que essa pergunta já passou pela cabeça de muitos, enquanto médicos e paramédicos lutam pela vida de sobreviventes gravemente feridos em Paris. Cogita-se a relação entre os assassinos islâmicos na capital francesa e o fluxo de refugiados vindo para a Alemanha, principalmente da Síria.

Não foi encontrado, num dos locais dos atentados, um passaporte sírio cujo proprietário foi registrado na Grécia em 3 de outubro e cujo nome, em seguida, foi registrado diversas vezes ao longo da rota dos Bálcãs? Sim, foi isso que aconteceu. Mas seria uma tolice relacionar de forma tão simplista os tiros em Paris à migração de refugiados para a Alemanha.

Sob o impacto do banho de sangue entre os nossos vizinhos, o nosso "problema com os refugiados" se torna, a princípio, uma nota de rodapé. O alojamento, os custos, tudo isso é fichinha em comparação com as fantasias de horror que representam terroristas desconhecidos e dispostos a tudo entre nós. O 13 de Novembro em Paris traz um novo foco à política interna alemã. E, mais do que nunca, a pergunta é: Angela Merkel terá de mudar sua política de refugiados? Não! Ao menos não em sua essência.

Quem já se encontra na Alemanha e tem direito a asilo político não pode ser mandado de volta. Mas quem ainda está por vir e pedir asilo não deverá, necessariamente, ser acolhido pelo país. É evidente que a política para os refugiados precisa ser uma política europeia, e não pesar apenas sobre Berlim. A Alemanha pode esperar tal solidariedade, assim como a França pode contar com a solidariedade de seus parceiros na luta contra o terrorismo. Afinal, os refugiados da Síria, Iraque e Afeganistão são tão vítimas dos atos terroristas do "Estado Islâmico" (EI) quanto aqueles que perderam a vida e a saúde nos atentados da última sexta-feira.

Naturalmente, há ainda um risco residual de que jihadistas estejam infiltrados entre os refugiados que chegam à Europa. Esses, no entanto, não precisam das caravanas de migrantes para vir para o continente europeu. Eles podem aparecer a qualquer momento e em qualquer lugar. Atualmente, na Alemanha, as autoridades estão de olho em 420 chamados "perigosos"; na Europa toda, essa cifra chega a 3,5 mil. A proteção contra esses fanáticos nunca pode ser considerada total.

O maior perigo está nos chamados repatriados: jovens alemães ou muçulmanos provenientes da Alemanha que se deixaram aliciar pelo EI e que em parte foram treinados de forma altamente profissional no ofício da guerra e do terrorismo. Atualmente, muitos deles voltaram à Europa com um contrato de matança – também na Alemanha. É preciso identificá-los e neutralizá-los. Também de forma preventiva.

A Polícia Federal da Alemanha dispõe de 3 mil novos funcionários; o Serviço Federal de Informações, de mais de 225 e o órgão de proteção à Constituição, de mais de 250. Trata-se dos passos certos. Medidas que também vão restringir as liberdades individuais a partir de agora. Mas esse é o preço da segurança. Precisamos de mais e não de menos agentes de inteligência. Isso tem de ser aceito pela sociedade liberal.

Após os atentados em Paris e em meio ao fluxo contínuo de centenas de milhares de refugiados – principalmente muçulmanos – também a União Europeia sofre pressão para agir. É bom ter solidariedade com a França, mas isso pode escorregar para gestos ingênuos, se o terrorismo do EI e a onda migratória do Oriente Médio não forem vistos em breve sob a luz do princípio de causa e efeito.

A Europa se encontra numa crise, e a "egopolítica" nacionalista está em alta. Isso serve ao "Estado Islâmico". A grande maioria das pessoas que vêm para a Alemanha escapou de ser morta pelo EI. Protegê-las é um desafio europeu, não somente alemão. Enquanto isso não for compreendido por todos na UE, os votos de solidariedade para com os franceses se tornam apenas arroubos vazios de conteúdo.

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