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Mundo

Opinião: Sanções de Putin vão prejudicar consumidores russos

Kremlin quer punir a União Europeia, mas quem vai sofrer as consequências são os próprios cidadãos russos, opina o chefe da redação ucraniana da DW, Bernd Johann.

Deutsche Welle REGIONEN Osteuropa Ukrainisch Bernd Johann

Bernd Johann é chefe da redação ucraniana da DW

A espiral de sanções entre a Rússia e o Ocidente segue girando. Agora foi a vez de o presidente Vladimir Putin reagir às sanções econômicas que a União Europeia (UE) impôs a Moscou, quatro semanas atrás. Em troca, a Rússia proibiu a importação de produtos agrícolas de todos os países que apoiaram a decisão e acirrou ainda mais tensão entre as duas partes.

A política de sanções é prejudicial para ambos os lados. Por isso a UE demorou tanto tempo para se decidir pelas sanções à Rússia. Por muito tempo, ela manteve a esperança de que a liderança em Moscou concordaria com o diálogo para resolver o conflito no leste ucraniano e agiria para resolver o problema. Mas a Rússia segue respaldando os grupos armados na Ucrânia. Nem mesmo o provável abatimento de um avião de passageiros e a trágica morte de 298 pessoas inocentes alteraram a posição russa.

À UE não restou outra alternativa: as restrições ocidentais à transferência de tecnologias e ao acesso aos mercados financeiros europeus se voltam contra empresas russas que possuem laços estreitos com o Kremlin. A revanche de Putin, ao contrário, é um tiro no pé. Suas sanções ao Ocidente atingem empresários e produtores que nada têm que ver com o conflito. O comércio de produtos agrícolas e alimentícios vai sofrer muito se as sanções forem mesmo aplicadas.

Mas as sanções atingirão sobretudo os consumidores russos. A oferta de produtos nos supermercados ficará reduzida. Os consumidores terão que pagar mais pelos alimentos, pois a Rússia não consegue cobrir sozinha a demanda interna. Aumento de preços e falta de mercadorias serão as consequências.

O Kremlin reagiu a essas críticas afirmando que a proibição de importações será um estímulo à economia russa. Há até mesmo aqueles que se permitem comparações com os tempos da União Soviética. Também naquela época a Rússia soube ser autossuficiente, argumentam.

Mas exatamente isso não aconteceu nos tempos soviéticos. As pessoas na Rússia ainda devem se lembrar de tudo que não tinham ou de como eram caros os produtos de outros países. Também por isso a União Soviética desmoronou, porque as pessoas ficaram cada vez mais insatisfeitas com a escassez de produtos. E agora a Rússia se isola novamente, ao se afastar do comércio com a Europa e com outros países.

A economia russa já está estagnada, e as sanções vão agravar os problemas. A proibição de importações podem rapidamente se tornar visíveis nas prateleiras dos mercados. E não há garantias de que fornecedores alternativos – por exemplo da América Latina – conseguirão mesmo preencher a lacuna, como espera o Kremlin. Além disso, esses produtos terão que percorrer longas distâncias, o que também pode elevar os preços para o consumidor.

As proibições de Putin restringem cada vez mais as opções dos cidadãos russos. Quando o tema é férias, já é assim. As reservas de viagem para países ocidentais caíram drasticamente neste verão, em parte porque Putin não autorizou a viagem de funcionários públicos, mas principalmente porque a situação financeira de muitos russos piorou.

Agora, muitos terão que abdicar também na Rússia do queijo francês, das azeitonas espanholas e do chocolate alemão. Talvez a situação não será tão extrema como nos tempos soviéticos, mas a Europa volta a ficar distante para os russos, e só porque Putin assim deseja. Uma pena!

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