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Mundo

Opinião: Sanções da União Europeia contra Rússia vêm lentas, mas na direção certa

O bloco europeu só endureceu um pouco as sanções contra Moscou, hesitando em aplicar punições mais amplas e severas. Apesar disso, sua política diante de Putin está correta e já surte efeito, opina Ingo Mannteufel.

Ingo Mannteufel

Ingo Mannteufel é chefe da redação russa da DW

Depois dos Estados Unidos, a União Europeia também endureceu ligeiramente algumas sanções contra a Rússia, em face à continuada violência no leste da Ucrânia. As retaliações da UE estão agora especificamente dirigidas a empresas e organizações russas que contribuem para a desestabilização no país vizinho. Além disso, a UE instruiu o Banco Europeu de Investimento e o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento a não aprovarem nenhum novo projeto na Rússia.

O significado e o impacto dessa decisão são discutíveis. Ela provavelmente não é suficiente para forçar uma mudança total na política de Moscou. Uma melhor avaliação só será mesmo possível quando estiver claro quais empresas e organizações são afetadas, o que deve ocorrer até o final de julho.

A decisão atual demonstra as dificuldades dos chefes de Estado e de governo da UE em adotar sanções mais duras contra Moscou. As razões para tal são muitas: os líderes europeus buscam sanções capazes de levar o Kremlin a uma mudança de política, mas não querem entrar numa escalada contra a Rússia.

Os políticos europeus não estão interessados num confronto amplo com a Rússia. Isso não se dá porque os líderes europeus sejam crédulos e ingênuos − como alguns pensam na Ucrânia: o perigo do desafio russo é cada vez mais notório.

O principal motivo é que os políticos eleitos democraticamente temem ser punidos por seus eleitores, caso retaliações russas prejudiquem a economia de seus países ou causem aumento dos preços de energia. Democracias estão sempre fixadas, no fundo, em equilíbrio e acordos políticos. É compreensível que os Estados Unidos tenham mais facilidade neste ponto do que a União Europeia. Pois para os EUA, a Rússia não é importante nem como parceiro de negócios, nem como fornecedor de energia.

Por isso não se deve contar tão cedo com sanções mais rigorosas e abrangentes da UE contra a Rússia – a assim chamada "fase 3". Até porque não existe uma "medida mágica", que ponha tanta pressão sobre o Kremlin ao ponto de obrigá-lo a mudar de imediato a sua política.

No entanto, o efeito a médio prazo da política da UE para a Rússia não deve ser subestimado. É claro que a cooperação da UE com a Rússia vem sendo reduzida e dificultada paulatinamente. Decerto que se pode fazer mais do que isso, mas a direção dos lentos passos da UE está certa.

É bem questionável de onde virão os impulsos para o crescimento da economia russa nos próximos anos sob tais condições, em que Moscou não pode mais contar com o Ocidente como parceiro comercial e de modernização. A esperança nos países do Brics e em outros emergentes é uma quimera propagada, mas que não funcionará.

Com sua política, o presidente Vladimir Putin manobrou a Rússia para um beco sem saída. E somente uma imensa onda de propaganda na mídia estatal tem impedido a população russa de perceber esse fato, até agora. As consequências já são visíveis. A economia russa está estagnada e o rublo se desvaloriza. O que, além disso, sanções mais amplas poderiam ter alcançado?

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