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Mundo

Opinião: Sanções da UE são resposta certa a Moscou

Ninguém sabe se as punições farão o presidente Putin recuar. Mas após tanta hesitação, é positivo que a Europa tenha finalmente tomado a decisão. Caso contrário, perderia sua credibilidade, opina Bernd Riegert.

Deutsche Welle Bernd Riegert

Bernd Riegert é correspondente para Europa da DW

Finalmente! Está consumado. Depois de meses de hesitações, a União Europeia decidiu impor à Rússia sanções econômicas potencialmente eficazes. Os 28 Estados-membros não chegaram facilmente a um acordo, pois cada um tem seus próprios interesses econômicos, como deve mesmo ser. Mas já é algo positivo que esse acordo tenha saído. Se a UE não tivesse tomado essa medida, sua credibilidade estaria perdida, depois de todos os anúncios e ameaças em direção a Moscou.

O presidente Vladimir Putin está jogando um jogo arriscado e não chamou ao recuo os rebeldes pró-russos que vem apoiando, apesar da trágica morte dos quase 300 ocupantes inocentes do Boeing malaio derrubado sobre o leste da Ucrânia.

A partir desse ponto, a UE não teve outra escolha. Ela aceitou a ocupação da Crimeia; assistiu passiva à transformação de um levante armado no leste ucraniano em uma espécie de guerra civil. Ela se deixou humilhar e ludibriar por Moscou; fez várias ofertas diplomáticas a Vladimir Putin. Mas somente a derrubada do voo MH-17 a levou a enxergar que agora basta.

Se as sanções econômicas terão os efeitos desejados e farão o presidente russo recuar, isso é algo que ninguém consegue prever com certeza. Mas isso ainda vai levar um longo tempo. A economia russa vai sofrer, talvez haja uma recessão, mas Putin pode se manter inabalável por mais tempo do que o Ocidente deseje.

A população russa parece apoiá-lo. Será que os oligarcas ainda continuarão dando seu apoio quando perceberem que suas fortunas começam se esfacelar? A UE infelizmente não conseguiu comunicar aos seus cidadãos que as sanções também custarão algo para eles. No pior dos casos, um Putin acuado pode restringir o fornecimento de energia da Rússia para a Europa.

Curiosamente, os chefes europeus de Estado e de governo deixaram que seus embaixadores silenciosos decidissem em Bruxelas por eles. Não houve declarações diante das câmeras, nada. Por tudo o que ocorre, a UE organiza cúpulas especiais, mas para este ataque politicamente drástico a Moscou, não. Foi um desastre de relações públicas. Ninguém consegue vender a política pública da UE de forma pior que esta.

Os europeus e os EUA voltam agora a agir em sincronia em termos de sanções. A UE se aproximou do curso claramente mais duro trilhado pela Casa Branca. Isso é certo, porque apenas uma comunidade fechada ainda pode, talvez, impressionar Putin.

No entanto, ele ainda tem outras opções. Ele não está tão isolado como gostaria a UE: a China e outras economias emergentes, como Brasil, Índia e África do Sul (Brics) se apaziguam exatamente agora aos governantes autocráticos no Kremlin, como pôde ser visto na cúpula do Brics no Brasil. Ao longo prazo, a Rússia pode conseguir ficar sem fornecer sua energia para a Europa e importar suas máquinas da China.

A UE deu um primeiro passo em direção a uma espiral de sanções. Era inevitável. Agora, deve rapidamente se dirigir a outros países, a fim de evitar que suas sanções sejam furadas por bancos na Ásia ou na América Latina.

O objetivo da UE deve ser conter os apetites imperiais da Rússia, pacificar novamente a Ucrânia e proteger a paz ameaçada da Europa. Com as sanções, a UE sacou sua arma política mais perigosa. Agora, a Rússia tem a escolha: recuar ou provocar uma escalada.

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