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Mundo

Opinião: Sínodo no Vaticano foi apenas um começo

Foram 14 dias de discussões entre os bispos católicos, mas não houve avanços concretos. Ainda assim, o estilo do encontro impressionou, opina Christoph Strack, especialista em assuntos eclesiásticos da DW.

Há muito a se elogiar neste Sínodo Extraordinário dos Bispos da Igreja Católica que se encerrou neste domingo (19/10). Este foi, certamente, o mais emocionante das últimas décadas, o mais honesto. De início, a euforia tomou conta de um ou de outro.

Extraordinário realmente é o termo certo para definir o sínodo. Longe vão os anos de chumbo em Roma, quando era claro, já no início das deliberações episcopais, o que deveria ser dito no final do conforto espiritual – e, principalmente, o que não deveria ser abordado. As discussões agora foram controversas e, algumas vezes, pessoais. Discutiu-se sobre o caminho certo, brigou-se, mas a união prevaleceu.

Christoph Strack Redakteur im DW Hauptstadtstudio

Christoph Strack, articulista da DW especializado em assuntos eclesiásticos

Isso já é bastante, muito mesmo. Não somente para a Igreja. Isso é motivo de apreço, por exemplo, para quem vivenciou nos últimos anos um congresso partidário de algum grande partido alemão – caracterizado por aquele puro desejo de encenação civil-religiosa, na qual praticamente só falta, realmente, o incenso; marcado também pela coesão ordenada, pela falta dramática de cultura de debate e por declarações finais há muito pré-formuladas.

O fato de ter havido discussões na sala do sínodo do Vaticano mostra que, na verdade, algo está em jogo. E os resultados do documento final mostram que esta foi e continua sendo uma luta difícil. Em alguns pontos, os delegados veem a situação da família de forma mais realista do que o tom que normalmente prevalece em alguns documentos romanos. Mas, justamente nos dois pontos que mais interessam às forças reformistas, não se obteve a maioria de dois terços: a questão dos sacramentos para divorciados que se casaram novamente e o tratamento dado aos homossexuais.

Neste último ponto, ficaram explícitas as tensões entre os participantes do sínodo. Muitos deles afirmam que, obviamente, as portas da Igreja estão abertas para os homossexuais, que não existe discriminação, que se trata de boas-vindas – para falar em seguida, quase no mesmo fôlego, da "compaixão" da Igreja frente aos homossexuais. "Compaixão" soa realmente como "boas-vindas"?

Mesmo antes do sínodo estava claro que os 14 dias de verão tardio em Roma seriam somente uma etapa de um caminho bem mais longo. O próximo passo deverá ser a discussão das questões controversas e também das posições unânimes em todo o mundo. Nas dioceses, nas paróquias, nas conferências episcopais. E também o papa Francisco, que ficou calado – inteligentemente – por muito tempo no sínodo, deverá tomar a palavra numa ocasião ou outra. O tema da família estará, certamente, na agenda. E provavelmente em fevereiro o papa irá criar novos cardeais num consistório – isso também pode vir a oferecer a oportunidade de dar prosseguimento a seu curso de renovação de pessoal.

Até o próximo fim de ano – quando a sala do sínodo se encherá novamente com delegados de todo o mundo, para discutir, mais uma vez, o campo temático da "família e moralidade sexual" – estão agendados, entre outros, discursos (ainda este ano) no Parlamento Europeu em Estrasburgo e, em 2015, encontros políticos em Paris, Nova York e Washington.

Se o Papa quiser que a Igreja Católica avance e que a Igreja aceite o ser humano, como prometeu o Concílio Vaticano 2° (1962-1965), então ele deve continuar a promover suas ideias. Antes do sínodo, Francisco expressara o desejo de que se pudesse "escutar os gritos do povo". Com certeza, ele não quis dizer que tudo deveria continuar como foi até agora. A Igreja Católica passou por um sínodo emocionante. Os resultados não são, certamente, surpreendentes. Mas o encontro significou um começo. O resto ainda está por vir.

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