Opinião: Russos dão pouco valor ao que ganharam com fim da URSS | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 19.08.2011
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Mundo

Opinião: Russos dão pouco valor ao que ganharam com fim da URSS

Os russos não deveriam lamentar o fim da União Soviética, pois o colapso do Estado comunista os libertou de uma ideologia falsa e opressora, afirma o chefe da redação russa da Deutsche Welle, Ingo Mannteufel.

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O colapso da União Soviética, há 20 anos, foi um acontecimento fundamental, que influenciou profundamente o curso da história. Foi também o resultado de processos extremamente complexos, que tanto na época quanto hoje ainda são difíceis de compreender em seus detalhes, devido a muitos arquivos fechados.

Por isso é quase impossível realizar uma avaliação equilibrada, objetiva e aceita sem discussão por todos. Na verdade, muitas vezes se ouve falar apenas na "culpa de Gorbatchov" ou na "política dos Estados Unidos". Com isso presume-se que teria havido uma possibilidade de manter a União Soviética "de uma forma renovada". Isso é absurdo e ilógico: a União Soviética caiu justamente porque mostrou ser, em seu cerne, impossível de ser reformada ou democratizada.

Deutsche Welle Russische Redaktion Ingo Mannteufel

Ingo Mannteufel

Desde o início, a União Soviética trazia em si o germe da sua dissolução. Ela surgiu em 1922, por meio de um ato violento e antidemocrático. É quase uma ironia da história que justamente o movimento comunista e anticzarista da guerra civil pós-Primeira Guerra Mundial tenha subordinado os povos do Império Russo, que ansiavam por liberdade e independência, a um Estado dirigido por Moscou.

Enquanto o Império Austro-Húngaro (1867-1918) e o Império Otomano (1299-1922) se dissolviam, os bolcheviques conseguiram frear a desintegração do território do antigo Império Russo. Mas como a unificação da URSS não aconteceu sobre uma base democrática, estava claro que, com a exigência por democracia, a existência da União Soviética seria posta em questão na sua essência. Isso era especialmente claro nos países bálticos, que só haviam sido ocupados novamente pela União Soviética em 1941/45.

As causas para o colapso da URSS são, portanto, muito mais profundas do que uma suposta política falha de Gorbatchov depois de 1985. O fim da União Soviética é muito melhor compreendido sob a perspectiva da descolonização e da democratização e da libertação dos grilhões de uma ideologia comunista totalitária.

E por essa perspectiva – certamente muito ocidental –, também os russos ganharam algo com o fim do comunismo soviético: a libertação de uma ideologia falsa e opressora. É lamentável que a maioria dos russos não dê tanto valor a isso e prefira, diante dos problemas sociais atuais, olhar para trás com nostalgia. Talvez sejam necessários mais 20 anos, isto é, mais uma geração, para que essa outra perspectiva encontre ressonância na Rússia.

Sobre isso, há algo que não devemos esquecer: também muitos alemães só foram entender em 1985 que a derrota na Segunda Guerra Mundial foi uma libertação para a Alemanha.

Autor: Ingo Mannteufel (ff)
Revisão: Alexandre Schossler