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Alemanha

Opinião: Reunificação alemã é marcada por desigualdades

Vistos de fora, os últimos 25 anos denotam sucesso. Mas diferenças são sentidas pela população, e as metades leste e oeste do país ainda estão longe de uma equiparação, opina o jornalista Rupert Wiederwald.

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Rupert Wiederwald, jornalista da DW

Os 25 anos da reunificação da Alemanha são uma história de êxito, pelo menos quando se olha de fora. Nenhum outro antigo país do Bloco Comunista – como era o caso da República Democrática Alemã (RDA) – teve uma recuperação tão forte, elevou tanto seus padrões de vida e conquistou tanta força econômica quanto a parte da Alemanha que hoje se costuma denominar "o leste".

E no entanto há problemas e, acima de tudo, insatisfação. Mais da metade da população, especialmente no leste, continua percebendo mais diferenças do que semelhanças entre os alemães orientais e ocidentais. Aos cidadãos da ex-RDA coube que aceitar que, praticamente do dia para a noite, suas estruturas habituais se desmoronassem, e que um sistema totalmente novo assumisse o lugar do "socialismo realmente existente". No oeste, em contrapartida, pouco mudou, de início.

Quase 2 milhões de habitantes abandonaram os cinco estados orientais, a maioria jovens, grande parte dos quais, mulheres. Os efeitos dessa tendência são visíveis até hoje: cidades do leste lindamente restauradas, mas parecendo estranhamente desprovidas de vida; empresas que não conseguem encontrar jovens talentos; localidades inteiras que se extinguem com o envelhecimento da população.

Grandes setores da economia da RDA simplesmente desapareceram no início da década de 1990. Por não serem competitivas, empresas orientais foram liquidadas ou abriram falência. Com elas desapareceram os postos de trabalho, e a taxa de desemprego chegou a alcançar 25%. Ainda hoje ela ultrapassa os 10% nos estados do leste.

Assim parece quase um milagre que esses estados alcancem, hoje, dois terços da força econômica do oeste. Dois terços é também a proporção entre os salários nas duas metades do país; no leste ainda se ganha e se poupa bem menos. Os cidadãos entre Rostock e Chemnitz só conseguiram acumular a metade do patrimônio daqueles entre Hamburgo e Munique.

Como seria de esperar, são justamente aqueles na parte de baixo da escala que mais percebem esse tipo de diferença. No entanto, numa avaliação honesta, não se deve ignorar que as diferenças poderiam ser muito maiores. Comparando-se o PIB per capita dos estados do leste alemão com os dos antigos "Estados irmãos" do Pacto de Varsóvia, tanto a Turíngia como Brandemburgo, Saxônia, Saxônia-Anhalt ou Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental estão muito à frente da Polônia, Hungria ou República Tcheca.

E há um outro índice que também se gosta muito de evocar, quando se trata de acentuar a desigualdade entre Alemanha Oriental e Ocidental. Nos ex-estados da RDA é mais fácil conseguir uma vaga na creche ou no jardim de infância: metade das crianças abaixo de três anos consegue matrícula; no oeste, apenas uma em cada quatro.

A ideologia socialista pregava que todos fossem "profissionalmente ativos". Trabalhar era compulsório, também para mulheres com filhos. O Estado cuidava para conciliar emprego e família, por exemplo com uma rede abrangente de assistência infantil. Com sua política familiar, a RDA alcançou nos anos 70 uma taxa de nascimentos duas vezes maior do que a do oeste, que vivia os efeitos demográficos da pílula anticoncepcional. O alto percentual de natalidade foi apelidado "a corcunda do Honecker" – numa alusão ao chefe de Estado da RDA de 1971 a 1989, Erich Honecker.

Essa corcunda há muito foi relegada à história: depois da reunificação, as mulheres do leste entraram numa greve de gravidez, e em 1992 a natalidade no país alcançou o recorde negativo mundial de 0,74 crianças por mulher. Mas pelo menos nesse quesito orientais e ocidentais acabaram se equiparando: tanto entre Greifswald e Dresden quanto Flensburg e Garmisch-Partenkirchen, a taxa atual é de 1,4 criança para cada alemã.

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