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Mundo

Opinião: Putin é contra o EI ou a favor de Assad?

Encontro entre presidentes russo e francês dá esperança de avanço no combate ao "Estado Islâmico". Mas permanência ou não de Assad continua um obstáculo. Para desvantagem de todos, opina o correspondente Yuri Rescheto.

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Yuri Resheto é correspondente da DW em Moscou

Nós fizemos uma aposta, o prêmio era um bom vinho tinto francês: quanto tempo Vladimir Putin deixaria seu convidado esperando? Meia hora? Uma hora? Uma hora e meia?

Todos perdemos. Quem atrasou foi o convidado, o presidente francês, François Hollande. Putin teve de esperar. Algo pouco comum para o chefe de Estado russo – mas de certa forma adequado, levando em conta quem quer realmente algo de quem.

Uma coalizão verdadeira, forte e de ação decisiva, um eixo do bem de igual para igual: Moscou-Washington-Londres-Paris, liderado pelos russos. Isso foi, é e continuará sendo o sonho de Vladimir Putin, desde que adotou um tom conciliador em relação ao Ocidente na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Poucos dias depois, o chefe do Kremlin ordenou bombardeios na Síria e se espantou sinceramente por que o mundo não o entendia. Em vez de reconhecimento e elogio, o que veio foi escárnio e suspeita. O Ocidente desconfiava dos verdadeiros motivos dos russos. O desejo de respeito permaneceu insatisfeito.

Os ataques de Paris mudaram a situação. A Rússia estendeu a mão ao Ocidente. "Devemos cooperar com os franceses e considerá-los como aliados", ordenou Putin a seus generais, atendendo aos anseios de muitos de seus compatriotas. Porque, apesar da propaganda maciça contra o Ocidente, a maioria dos russos se sente mais europeia que asiática. E a França sempre foi um ideal.

Quando os terroristas mataram tantos em Paris, manifestou-se uma verdadeira solidariedade com os franceses. E o choque diante dos atentados foi quase maior do que o horror frente ao abate do avião de passageiros russo no Egito. A chance de uma luta conjunta contra o terrorismo estava de volta, apesar de todas as diferenças políticas.

Mas então veio um duro golpe. Uma tapa na cara – ou uma "facada nas costas", como disse o próprio Putin. Justamente o país amigo Turquia derruba um avião militar russo, "perfidamente", afirmou Putin, falando de traição. Surgiu o temor repentino de que o incidente na fronteira sírio-turca se tornasse uma centelha capaz de desencadear algo pior. A Rússia quase foi novamente marginalizada, isolada pelo Ocidente. O mesmo Ocidente com o qual ela queria combater o "Estado Islâmico" (EI).

Isso só não aconteceu graças ao sonho de Putin. O sonho de uma coalizão forte contra o EI. E também devido à determinação de Hollande de formar uma aliança com os russos. "François" e "caro Vladimir", como os dois se trataram publicamente em Moscou, fizeram concessões mútuas.

Hollande falou do EI e de outros terroristas a serem combatidos – o objetivo de Moscou desde o início. Putin, por sua vez, prometeu deixar em paz os adversários moderados de Assad, que também combatem o terrorismo. Só num ponto as frentes permaneceram endurecidas: Assad. Putin deixou mais do que clara sua visão de que sem o governante sírio não se vencerá a luta contra o EI. Hollande deixou mais do que clara sua visão de que Assad tem que ir embora.

Essa diferença pode vir a destruir toda intenção de fraternidade. E fazer com que Vladimir Putin continue esperando – pela próxima oportunidade de estar em pé de igualdade com o Ocidente.

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