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América Latina

Opinião: Pouca esperança para a Venezuela

O governo Maduro estipulou a data das próximas eleições, e a oposição terminou sua greve de fome. Há quem anuncie uma guinada. Mas há poucos motivos para otimismo, opina Uta Thofern, chefe do Departamento América Latina.

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Uta Thofern, chefe do Departamento América Latina

O 6 de dezembro é uma data de valor simbólico para a Venezuela. Nesse dia, em 1998, Hugo Chávez foi eleito presidente, iniciando a ascensão vitoriosa da Revolução Bolivariana. Agora, as autoridades eleitorais marcaram para o próximo 6 de dezembro as eleições parlamentares, com seis meses de antecedência e dentro dos prazos previstos na Constituição.

O político oposicionista Henrique Capriles declarou o 6 de dezembro de 2015 a "data da mudança". O líder preso Leopoldo López encerrou sua greve de fome. Os Estados Unidos consideraram a fixação da data um passo positivo.

Então está tudo bem de novo e volta-se à ordem do dia? Não. A própria discussão absurda em torno de algo tão evidente como a data de uma eleição já mostra quão emperrada está a situação política na Venezuela.

Até agora, o governo em Caracas tem se mostrado imune à pressão internacional. Um governo que se define junto aos seus seguidores sobretudo pela rejeição do "imperialismo ocidental" não pode, claro, se permitir pressões por parte dos Estados Unidos ou da Europa. E os vizinhos latino-americanos reagem com mensagens de solidariedade ao governo de Nicolás Maduro ou mantendo uma nobre distância.

Assim, a exigência cada vez mais veemente de uma data eleitoral – que tinha que ser marcada de qualquer forma – tornou-se uma saída honrosa para, em algum momento, pôr fim à greve de fome. Aparentemente, a oposição liderada por López buscava desesperadamente um meio de atrair a atenção internacional, o que alcançou apenas em parte com a greve de fome.

Só que López continua preso, e, com ele, numerosas figuras de liderança da oposição, inclusive o prefeito eleito de Caracas, Antonio Ledezma, em prisão domiciliar. E todo sinal de protesto na Venezuela segue sendo denunciado como incitação à revolta popular, podendo ser motivo de prisão. Ainda se aparenta preservar a liberdade de imprensa, mas na prática ela é cada vez mais bloqueada e restringida, seja através de queixas contra jornalistas, seja pela falta de papel, que força os jornais a desistirem – embora sempre só os oposicionistas.

A carestia continua reinando numa das nações mais ricas da América Latina, e o governo continua reagindo à crise de abastecimento com desmentidos e punições, no lugar de uma nova política econômica.

E a oposição segue dividida. De um lado, o tranquilo Capriles, que aposta numa guinada democrática e tenta convencer politicamente os antigos adeptos da Revolução Bolivariana. Do outro, o carismático López, que, com suas ações operísticas, sempre conquista solidariedade, mas não condições de negociação. E no meio estão os representantes de uma elite abastada, cuja imagem na memória de muitos cidadãos venezuelanos ainda é de ser arrogante e egoísta.

Em 6 de dezembro haverá eleições. A Organização dos Estados Americanos (OEA) prontificou-se a enviar observadores, a União Europeia também está a postos. Mas a Venezuela só quer permitir o monitoramento das eleições pela Unasul, próxima ao governo.

O presidente Maduro se mostra seguro da vitória, apesar dos maus resultados nas recentes pesquisas eleitorais. Além disso, caso a oposição reclame para si a vitória, o resultado serão choques sociais e protestos de massa como no "Caracazo" de 1989, a sangrenta onda revoltosa na capital e cercanias.

Uma data da mudança? Já seria bom se houvesse um pouco mais de cultura política para os venezuelanos. E um pouco mais atenção internacional, também, e em especial, partindo dos países vizinhos.

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