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Mundo

Opinião: Polônia anti-UE é obstáculo a funcionamento do bloco

Dissolução da coligação de governo polonesa pode abrir um capítulo mais positivo nas complicadas relações entre o país e os demais membros da União Européia. Bernd Riegert comenta.

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Ao exonerar vários ministros, o chefe de governo polonês, Jaroslaw Kaczynski, selou nesta segunda-feira (13/08) o fim de sua coalizão. Os ministros da direitista Liga das Famílias Polonesas e do partido populista dos agricultores Autodefesa foram substituídos.

Desta forma, a Polônia se encaminha para novas eleições no último trimestre do ano. E, com elas, há a chance de se abrir mais um capítulo nas complicadas relações entre o novo país-membro e os demais afiliados da União Européia.

Desde o final de 2005, quando teve início o governo nacional-conservador, estas relações vinham sendo comprometidas pelas permanentes manobras de bloqueio e estorvo de Varsóvia. A seguir, Bernd Riegert dá sua opinião:

"Pior do que está, não pode ficar"

Bernd Riegert Deutsche Welle Porträtfoto

Bernd Riegert

É claro que ninguém admite isso oficialmente em Bruxelas, mas não se derramou qualquer lágrima pelo fim da coligação de governo da Polônia. Nos últimos dois anos, os gêmeos Kaczynski (também conhecidos em Bruxelas como "Os Irmãos Pavorosos") quebraram muita porcelana política dentro da União Euopéia.

O presidente Lech e o premiê Jaroslaw enervaram ao extremo seus colegas europeus com uma mistura de teimosia e nacionalismo polonês. A cúpula da UE de junho último, com o fim de solucionar a crise em torno de uma Constituição para o bloco, ameaçou fracassar devido a Jaroslaw Kaczynski, o qual, por telefone, controlava de Varsóvia o irmão Lech nas acirradas negociações em Bruxelas.

Durante o mais recente conflito, acerca da proteção ambiental em um projeto de construção de auto-estrada, a Comissão da UE precisou até ameaçar com uma liminar da Corte Européia de Justiça, antes que Varsóvia cedesse no último minuto.

O próximo showdown já está programado, pois a Comissão pretende fechar parte das docas de Gdansk, devido a excesso de capacidade. O governo polonês corre o risco de ter que devolver subsídios da UE na ordem de centenas de milhões de euros.

É fato que a coligação está dissolvida e a anti-européia Liga das Famílias Polonesas, fora do governo. Mas continua em aberto qual será o desempenho deste partido no pleito antecipado, e se Jaroslaw Kaczynski poderá voltar a ser eleito como primeiro-ministro.

"Pior do que está, não pode ficar", consolam-se os diplomatas europeus em Bruxelas. Afinal, o pai do agora demitido ministro da Educação Roman Giertych difamou Angela Merkel como "versão sofisticada de Adolf Hitler". Na época, a chefe do governo alemão presidia o Conselho da UE.

O pai Maciej Giertych representa a Liga das Famílias no Parlamento Europeu, e acusa a Alemanha de querer dominar a Europa em detrimento da Polônia. Independente da composição do próximo governo em Varsóvia, o deputado continuará se impingindo aos colegas de Bruxelas pelo menos até as próximas eleições para o Parlamento Europeu em 2009.

Na qualidade de ministro, o filho Roman se empenhou para que a Polônia de forma alguma ratificasse o Tratado Constitucional da UE. Isto embora, apenas alguns dias antes, todos os 27 chefes de Estado e governo houvessem aprovado as bases do documento. As manobras de estorvo e os desejos especiais eram uma constante. "Isso só irrita!", gemiam os colaboradores mais próximos dos ministros do Exterior em Bruxelas.

Os diplomatas europeus esperam que agora um ponto de vista mais moderado venha a se impor na Polônia. A longo prazo, um governo cético em relação à UE constitui um forte obstáculo ao funcionamento do bloco, já que, desde 2004, ela é o maior entre os novos países-membros do Leste Europeu. Um consolo: 85% dos quase 40 milhões de poloneses consideram positiva a filiação à União Européia, claramente em contradição com seu próprio (ex-)governo.

Cabe ainda esclarecer que efeitos terá o vácuo político na Polônia sobre as negociações em torno do novo Tratado Constitucional da UE. Este deverá estar delineado até a próxima cúpula do bloco nos dias 18 e 19 de outubro próximo em Lisboa. Provavelmente o encontro não dará em nada, pois apenas alguns dias depois os poloneses serão convocados às urnas. Quem sabe que desejos extras uma futura coligação de governo ainda terá a apresentar.

O jornalista Bernd Riegert é chefe do escritório da Deutsche Welle em Bruxelas.

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