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Mundo

Opinião: Para além do clima, todos saem ganhando

Em tempos de crises crescentes, o acordo do clima fechado na COP21, em Paris, prova a capacidade da comunidade internacional de encarar os problemas globais, opina o correspondente da DW Jens Thurau.

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Jens Thurau é correspondente da DW em Paris

Que resultado! Todos os 195 Estados da Organização das Nações Unidas votaram a favor de um

acordo climático

que limita o aumento da temperatura do planeta não em 2ºC, mas até 1,5ºC.

Um acordo que estreita as metas climáticas nacionais numa armadura vinculativa do ponto de vista do direito internacional, as examina e as aprimora, caso não sejam suficientes. E um acordo que disponibiliza ajuda financeira aos países pobres, numa ordem de grandeza há até pouco tempo impensável.

Todos saíram ganhando, para além da proteção do clima: os europeus, essa comunidade de Estados que recentemente vem antes fazendo manchetes com suas brigas internas. Neste fim de semana, as nações da União Europeia se uniram em torno de um pacto ambicioso.

Saem ganhando os pequenos países insulares, que sofrem o efeito estufa de maneira brutal, e que desenvolveram uma impressionante autoconfiança, justamente graças às conferências do clima realizadas desde a Rio 92. Foram as Ilhas Marshall que criaram em Paris uma

coalizão de 79 nações pobres com a UE

, à qual o Brasil, México e os Estados Unidos aderiram. Os EUA seguindo as pequenas Ilhas Marshall: inacreditável!

E, no fim das contas, também ganharam as nações emergentes como a Índia e a China, ao renunciar à própria resistência e abrir o caminho para essa sensação diplomática.

Porém, nenhum outro nome estará tão associado a estas duas semanas da COP21 como o do ministro francês do Exterior, Laurent Fabius. Poucas semanas após os terríveis atentados terroristas de Paris, ele acendeu uma luz em seu abalado país.

Com tranquilidade estoica e grande habilidade diplomática, na qualidade de presidente da conferência do clima, por várias vezes ele guiou as negociações através de águas turbulentas.

Quem presenciou a catástrofe da conferência de Copenhague pode julgar ainda melhor este extraordinário desempenho. Seis anos atrás, a presidência dinamarquesa cometeu praticamente todos os erros possíveis no que se refere ao sensível equilíbrio entre nações pobres e ricas. O que Fabius fez agora é o contrário.

O triunfo coube igualmente aos grupos ambientalistas, tantas vezes ridicularizados, e que participam desde 1992, codeterminando o processo da proteção climática internacional – através de sua crítica dura, por vezes exagerada e de suas exigências irrealizáveis, porém sempre mantendo em vista as advertências da ciência. E também ganhadoras saíram as Nações Unidas, ao provar sua capacidade de encarar problemas globais.

Agora cabe levar adiante o impulso de Paris: os investimentos precisam ser desviados dos combustíveis fósseis para as energias renováveis; as verbas prometidas para os países pobres precisam fluir. Isso tudo já começou, agora o processo tem que deslanchar de verdade.

Talvez, neste mundo de crises cada vez mais agudas, o raio de esperança vá partir justamente da proteção ambiental: a comunidade mundial é capaz de enfrentar em conjunto os próprios problemas. Parabéns, França!

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