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Mundo

Opinião: Papa Francisco faz jus ao nome

Nos seus primeiros dois anos à frente da Igreja Católica, novo papa adota uma clara opção pelos mais pobres. Isso não agrada a todos, constata o articulista Felix Steiner.

Felix Steiner

Articulista da DW Felix Steiner

Há dois anos, o novo papa tomou de assalto o coração dos fiéis: o seu sucinto buona sera da varanda da Basílica de São Pedro; o seu pedido para que rezassem por ele, antes mesmo de proferir pela primeira vez a bênção papal aos fiéis – tudo isso deixava claro, já na noite de sua eleição, que ali estava alguém com uma compreensão de seu cargo bem diferente de seus antecessores.

E ele também enviou outros sinais: o pequeno apartamento na residência de Santa Marta em vez dos aposentos papais do Palácio Apostólico, o uso de um carro pequeno em vez da Mercedes oficial, os sapatos pretos com cadarço em vez das tradicionais sapatilhas vermelhas. E, sobretudo, o nome: Francisco. O monge mendicante da Idade Média. O filho de família rica que doou a sua herança, que se dedicou aos pobres e que apelou por uma reforma da vida eclesiástica.

O nome é, portanto, duplamente programático. Por um lado: a Igreja quer, ou melhor, precisa se reformar. Foi por isso que o cardeal Bergoglio foi eleito por seus irmãos bispos. Porque foi ele quem defendeu com mais veemência a reforma da Cúria Romana no chamado "pré-conclave". Porque a lavagem de dinheiro e o comércio com cargos oficiais não devem ter lugar na Igreja. Porque o todo poderoso centralismo romano não combina com a Igreja mundial e diversificada do século 21. E, não menos importante, porque seu antecessor, Bento 16, fracassou nessa Cúria.

Por outro lado: segundo a vontade de Francisco, a Igreja deve se voltar sobretudo aos pobres. Ela deve – de acordo com uma máxima já popular do papa – ir até as margens. Já quando era arcebispo de Buenos Aires, ele provocava o Vaticano ao não enviar seus melhores padres às academias papais, mas aos bairros desfavorecidos da metrópole argentina.

Como Papa, sua primeira viagem o levou à ilha de Lampedusa – em meio ao drama africano-europeu dos refugiados. Em Manila, ele se encontrou com crianças de rua e chorou ao lado delas ao ouvir suas histórias de vida. Depois do animador de público João Paulo 2° e do intelectual Bento 16, o papa Francisco é sobretudo um pastor.

Francisco também fala como se fosse um pastor num bairro pobre: na maioria das vezes de forma livre, numa linguagem clara e simples, às vezes também com palavras drásticas e analogias. Um Papa que, finalmente, pode ser compreendido mesmo sem um estudo prévio de teologia – isso deveria ser motivo de grande alegria.

Mas aos poucos começam o murmurinho sobre o reformador de Roma. Os mais carolas reclamam que fere a dignidade do cargo dizer que os católicos "não deveriam se procriar como coelhos". Principalmente na Europa, os guardiões morais do politicamente correto ironizam a anedota contada pelo Papa de que, ao bater numa criança, é preciso respeitar a sua dignidade.

Cada vez mais, o Papa constata que, apesar dos aplausos unânimes de dois anos atrás, não pode agradar a todos. E como poderia? Do ponto de vista teológico, ele está muito mais próximo de seu antecessor do que muitos gostariam de admitir no entusiasmo inicial. Assim, também sob a sua liderança não haverá nenhuma ordenação de mulheres nem casamento gay tampouco a permissão de aborto. E ainda se está longe de saber se a Igreja Católica vai mesmo abolir a proibição de preservativos, do sexo antes do casamento e do matrimônio de pessoas divorciadas – não importa o quanto editorialistas alemães anseiem por isso.

E na Alemanha? Até que ponto a Igreja Católica alemã combina com a imagem ideal oferecida pelo papa? Ela é, provavelmente, a mais rica unidade da Igreja Católica, dispondo assim dos maiores meios para ajudar nas margens da sociedade. Mas ela o faz suficientemente? Ela consegue sair de si mesma, deixar a autorreferência, a bolha eclesiástica onde se trocam elogios mútuos, como Francisco formulou antes de sua eleição? Todas as suas instituições servem mesmo, em primeira linha, à propagação da palavra divina, como esperado pelo papa e também exigido por Bento 16 em seu lendário discurso sobre a "mundanização da Igreja", em Freiburg no ano de 2011, e que perturbou de forma duradoura tantos na Alemanha?

Um exemplo trivial: as escolas católicas na Alemanha gozam de uma excelente reputação. Por esse motivo, pais abastados enviam seus filhos para lá, em vez de matriculá-los em escolas públicas. Segundo a lógica de Francisco, essa excelente reputação deveria implicar que crianças provenientes de famílias desfavorecidas sejam nelas educadas de maneira e com êxito especiais! Só esse exemplo já mostra claramente que o papa anseia por muito mais reformas do que muitos gostariam de ver. Este pontificado vai continuar sendo emocionante!

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