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Síria

Opinião: Ocidente também tem culpa por Aleppo

Assad parece prestes a conquistar militarmente os últimos postos rebeldes na metrópole síria. Uma vitória devida, em grande parte, à inação do Ocidente, opina o jornalista Rainer Sollich.

Rainer Sollich é jornalista da DW

Rainer Sollich é jornalista especializado em Oriente Médio da DW

Não há solução militar para a Síria, asseguram políticos ocidentais há anos. Está óbvio que o presidente russo, Vladimir Putin, seu protegido sírio Bashar al-Assad e os aliados iranianos e libaneses têm uma opinião bem diferente.

Depois que o leste da cidade de Aleppo foi sistematicamente privado de alimentos durante semanas e repetidamente bombardeado, as forças do regime Assad e tropas xiitas aliadas se empenham em tomar os últimos bairros dominados pelos rebeldes na antiga metrópole econômica. O destino dos seres humanos lhes é indiferente: para eles o que conta é a vitória militar e humilhar o inimigo.

E o que fazem os Estados Unidos e a União Europeia? Praticamente nada! O Ocidente adverte e julga, convoca conferências, aprova resoluções, mas, na prática, fica só olhando. Por isso a queda de Aleppo, que se anuncia, é mais um atestado de falência política e moral da estratégia ocidental para a Síria.

Nesse contexto, soa quase um pouco ridícula a imputação de que, neste momento, Putin e Assad estariam se aproveitando de um vácuo de poder criado pelas eleições presidenciais nos EUA. Eles não têm a menor necessidade disso! Barack Obama não se tornou um lame duck – um pato manco – na Síria só depois da vitória de Donald Trump: ele sempre foi.

Obama queria evitar na Síria o erro fatal cometido no Iraque por seu antecessor, George W. Bush. Com esse princípio apenas aparentemente pacifista, na realidade o presidente americano tornou a si e a todo o Ocidente corresponsáveis pela tragédia síria.

É que, desse modo, não apenas a Rússia e o Irã, mas também aliados cada vez menos confiáveis dos EUA, como a Arábia Saudita e a Turquia, sentiram-se encorajados a transformar a Síria num campo de batalha, religiosa e etnicamente carregado, para servir a seus próprios interesses de poder.

Apesar dos desdobramentos mais recentes, uma saída da espiral de ódio e violência está tão fora de vista quanto uma "solução" de cunho político ou militar. Se Aleppo de fato retornar inteiramente às mãos de Assad, será, de fato, uma eloquente demonstração de poder do regime, de grande peso simbólico. Ela mostrará que, sob proteção russa, Assad está por cima e não pode ser derrubado.

Contudo, rebeldes tanto moderados como radicais continuarão lutando nas regiões rurais e encontrando aliados sunitas dispostos a armá-los maciçamente. Também há que se continuar contando com os terroristas do assim chamado "Estado Islâmico" (EI) – mesmo porque até agora Moscou e Damasco não os combateram seriamente, a despeito de suas próprias alegações.

A tragédia de Aleppo simboliza uma constatação que, na verdade, já é conhecida há muito: Bashar al-Assad, possivelmente o maior criminoso de guerra da atualidade, continuará no poder enquanto a Rússia e o Irã não o deixarem cair e os EUA seguirem olhando, inertes.

Mas Assad não conseguirá trazer a paz à Síria, mesmo que Trump de fato venha a parcialmente se aliar a Putin na Síria, como temem os oposicionistas sírios. E a matança continua.

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