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Mundo

Opinião: Ocidente não deve intervir militarmente na Síria

Ingerência externa pode provocar um alastramento do conflito sírio por todo o Oriente Médio e causar centenas de milhares de vítimas, na opinião do jornalista sírio Ibrahim Mohamad, membro da redação árabe da DW.

Desde o suposto ataque com gás venenoso em Damasco, cresce a pressão para que o governo dos EUA interfira militarmente na Síria. E quem pede com mais veemência uma intervenção não são os políticos americanos, mas os britânicos, franceses, turcos e árabes.

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, chegou a afirmar que um mandato da ONU não é necessário para um ataque militar na Síria. Mas são, sobretudo, Arábia Saudita, Qatar e Turquia que tentam empurrar os EUA e a Otan para o arriscado pântano sírio.

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Ibrahim Mohamad

Até agora, os Estados Unidos resistiam a uma intervenção militar. Em primeiro lugar, devido ao desconforto americano em relação às forças islâmicas radicais dentro da oposição síria. Tanto que o Departamento de Estado dos EUA classificou como organização terrorista a Frente al-Nusra, um dos mais fortes grupos rebeldes sírios e que tem ligações com a rede Al Qaeda.

Do ponto de vista de Washington, substituir os governantes em Damasco por grupos radicais imprevisíveis não seria progresso algum. Em segundo lugar, há temores de que as consequências sejam semelhantes ao que ocorreu no Iraque, onde o caos se instalou após a intervenção dos EUA em 2003, custando centenas de milhares de vidas. Em terceiro lugar, uma intervenção militar na Síria provocaria um incêndio que se alastraria por todo o Oriente Médio – e iria mesmo além dele.

Esforços pela paz devem continuar

A comunidade internacional não pode aceitar passivamente o uso de armas químicas. Deve esclarecer este crime horrível e levar os responsáveis ​​à Justiça. Para isso, é importante que os inspetores da ONU sejam apoiados em seu atual trabalho de investigação. Mas os políticos ocidentais, como o chanceler britânico, William Hague, estão fazendo o oposto, antecipando os resultados da investigação. Em vez disso, é necessária uma investigação independente e séria, realizada em estreita cooperação entre o Ocidente, Rússia, China e Irã.

Nesta semana, diplomatas dos EUA deveriam ter se encontrado com seus colegas russos para preparar a conferência de paz sobre a Síria, prevista para meados de outubro. Após o suposto ataque com gás venenoso, a reunião foi suspensa indefinidamente. Entretanto, é importante que os esforços de paz continuem, apesar dos últimos acontecimentos. Pois quanto mais tempo durar o horror na Síria, menores serão as chances de uma solução política.

Mais complicado que Iraque e Líbia

Mesmo toda a dificuldade de se negociar com a liderança síria e de se convencer os diversos grupos oposicionistas a acharem uma solução política não justifica que os EUA e seus aliados ocidentais sejam arrastados para uma guerra. A intervenção militar não é, de forma alguma, uma solução. Ela tornaria o conflito ainda mais complicado e custaria centenas de milhares vidas. Em vez disso, os esforços diplomáticos para se encontrar uma solução política para a crise síria devem continuar de forma ainda mais intensa.

Neste sentido, só é possível concordar com o que disse Ruprecht Polenz, presidente da Comissão para Assuntos Externos do Bundestag, o Parlamento alemão. Em entrevista, ele alertou, com razão, para um possível alastramento do conflito na Síria para toda a região.

O conflito na Síria é muito mais complicado e difícil do que as crises no Iraque e na Líbia. A diversidade étnica e religiosa da Síria se estende a todos os países vizinhos, indo até a Arábia Saudita e a outras nações do Golfo. Uma intervenção militar na Síria pode se expandir rapidamente. O Irã e o Hisbolá provavelmente também entrariam no conflito.

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