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Mundo

Opinião: Obama tem que lutar para manter legado

Vitória republicana torna clima político ainda mais hostil. Presidente será obrigado a passar últimos anos de mandato defendendo seus feitos e governando sem Congresso, opina Michael Knigge, da redação inglesa da DW.

Após ter fracassado em obter maioria no Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato de 2010 e 2012, os republicanos finalmente alcançaram seu objetivo e conquistaram o controle completo do Legislativo americano, uma ameaça prevista já há algum tempo.

As condições para a vitória dos republicanos eram excelentes antes das eleições de terça-feira: um presidente democrata cujo índice de popularidade chega quase aos níveis de George W. Bush, um calendário eleitoral para o Senado favorável e a tendência geral de os eleitores usarem as eleições de meio de mandato para extravasarem sua frustração com o partido do presidente.

Deutsche Welle Michael Knigge

Michael Knigge é articulista da Deutsche Welle

Os otimistas podem ainda acreditar que os congressistas republicanos usarão seu novo controle sobre o poder para finalmente reverter o curso e começar a trabalhar com o presidente em vez de tentar bloquear todas as iniciativas que saem da Casa Branca.

Eles apontam para o fato de que, historicamente, períodos de um governo dividido foram os mais produtivos em termos de número de projetos de lei aprovados. Eles também argumentam que é do próprio interesse dos republicanos convencer os eleitores de que seu partido não é meramente uma força para obstrução e que também pode ser produtivo.

Mas isso pressupõe que os legisladores republicanos eleitos tenham seu partido e os interesses do país em mente, e ajam de forma racional e responsável em relação a eles. Infelizmente, esse não é o caso, como os republicanos provaram recentemente no Congresso, bloqueando o governo no ano passado e se opondo continuamente à reforma da imigração.

Ambos os casos são exemplos clássicos de obstrução republicana. Em vez de produzir benefícios tangíveis para o eleitorado, a ala mais conservadora, o Tea Party, levou os republicanos a adotar posições que atendem às exigências de radicais regionais, não do partido nacional.

A possibilidade de que esse comportamento possa prejudicar a elegibilidade do partido em 2016 entre os eleitores tradicionais e o cada vez mais importante eleitorado latino não preocupa os ativistas do Tea Party no sul ou em outros lugares.

Considerando suas ações anteriores, é uma ilusão esperar que um Congresso republicano –com ainda mais conservadores linha-dura – de repente busque um acordo com um presidente que muitos deles detestam. Em vez disso, Obama deve se preparar para uma legislatura ainda mais hostil.

Desde sua reeleição, Obama se conformou, finalmente, com a ideia de que a cooperação com os republicanos no legislativo é praticamente impossível e tentou governar através de decretos em vez de tentar forjar acordos com o Congresso. A tendência para a utilização de decretos para conduzir sua agenda deve aumentar, mas Obama também deverá usar seu poder de veto para bloquear os republicanos. O resultado pode ser – por mais incrível que possa parecer – um clima político ainda mais partidário e dividido nos Estados Unidos do que é o caso atualmente.

Com isso em mente, Obama deve se concentrar em costurar e fundamentar dois projetos-chave de sua presidência em vez de apostar em novas iniciativas políticas com pouca chance de sucesso.

Internamente, a Casa Branca deve tentar consolidar e proteger a conquista verdadeiramente histórica de Obama – o Affordable Care Act – dos planos republicanos para revertê-lo, apesar de a lei ter reduzido drasticamente o número de americanos sem seguro de saúde.

Internacionalmente, Obama deve tentar encerrar o que poderia ser um acordo igualmente histórico com o Irã sobre o programa nuclear do país. Enquanto Obama pode suspender as sanções temporariamente através de decretos, ele precisaria do Congresso para ratificar um acordo completo.

Ele terá que rezar para que, caso um acordo preliminar seja alcançado e implementado com Teerã, o bloqueio se torne politicamente caro demais para os republicanos.

O destino das realizações que levam a assinatura de Obama e seu legado poderão depender de seus últimos dois anos de mandato. Em 2008, o então senador foi eleito presidente, juntamente com um Congresso de maioria democrata. Em 2014, caberá ao hoje de chefe de Estado defender seu legado contra um Congresso republicano.

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