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Mundo

Opinião: Obama finalmente fala sério sobre mudança climática

Plano do presidente americano não é panaceia contra aquecimento global e não vai tornar os EUA uma economia verde da noite para o dia. Porém, tem grande peso simbólico, opina Michael Knigge, da redação inglesa da DW.

A mudança climática tem sido, pelo menos retoricamente, um assunto-chave para Barack Obama desde o início. Já em 2008, durante a campanha presidencial, ele fez deste um tema central em sua política, prometendo, se eleito, tornar os Estados Unidos um país líder em questões ambientais.

Quando chegou à Casa Branca, porém, ele primeiro estragou a histórica cúpula de Copenhague, em 2009, e depois passou todo o seu primeiro mandato sem fazer progresso significativo sobre o tema.

Diante da cúpula do clima de Paris em dezembro, vista por muitos como a última chance para a comunidade internacional amenizar os cenários de aquecimento global, Obama está finalmente tentando cumprir – na reta final de seu mandato e com seu legado em mente – o que prometeu há sete anos.

O chamado Plano de Energia Limpa, anunciado no ano passado por Obama, classifica pela primeira vez o gás carbônico como poluente e estabelece regras nacionais para emissões de CO2 em centrais elétricas em todos os estados.

Alcançar a meta proposta, de cortar as emissões das usinas americanas em 30% até 2030, na comparação com os níveis de 2005, vai acelerar o fim das termelétricas de carvão mineral, uma das principais fontes de poluição nos Estados Unidos.

Embora seja verdade que, devido à recessão e ao boom do fracking – que baixou o preço do gás natural – muitos estados americanos já estejam no caminho de alcançar os limites de emissão propostos mesmo sem a nova lei, muitos outros não estão. É verdade também que, dado o progresso já feito, o Plano de Energia Limpa vai fazer pouca diferença na linha geral de emissão de carbono dos EUA.

É por isso que o governo Obama, há apenas algumas semanas, propôs padrões mais rígidos de eficiência energética para tratores e trailers. Ele também anunciou estritos padrões de eficiência para eletrodomésticos, como fogões e lava-louças.

O Plano de Energia Limpa de Obama, por outro lado, precisa ser visto como uma importante peça legislativa num quebra-cabeça climático. Individualmente, cada um desses planos são pequenos demais para influenciar as emissões, mas, combinados, eles podem ter um impacto significativo. As reduções de carbono planejadas por Obama dificilmente mudarão o jogo, mas sua importância simbólica talvez possa.

Primeiro, porque a nova lei mira o pilar da produção de energia dos EUA – as empresas de fornecimento de energia elétrica – e as força a repensar sua estratégia. Segundo, porque coloca o tema mudança climática novamente na agenda das próximas eleições presidenciais, forçando os candidatos, especialmente republicanos, a abordar uma questão sobre a qual eles estão dispostos a serem julgados pelo eleitorado.

Por último, ao lançar seu mais ambicioso esforço para conter as emissões de carbono, a maior economia do mundo e segunda maior nação poluidora aumenta o nível de exigência em relação a outros países na conferência de Paris. China, Índia e União Europeia deveriam tomar nota.