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Mundo

Opinião: Obama dissipa dúvidas sobre estratégia contra o "Estado Islâmico"

Discurso do presidente dos EUA sobre plano de combate aos jihadistas pode não ser garantia de sucesso, mas serviu para mostrar liderança, opina o correspondente da DW em Washington, Miodrag Soric.

Miodrag Soric

Miodrag Soric, correspondente da DW em Washington

Presidentes americanos se tornam patéticos quando anunciam novas guerras ou conflitos militares. Eles explicam por que a luta é necessária, como vencerão no final e por que os Estados Unidos devem liderá-la. Esse padrão também foi seguido pelo presidente Obama em seu discurso na Casa Branca nesta quarta-feira (10/09).

Ele descreveu os crimes do "Estado Islâmico" (EI) e esboçou seu plano para derrotar os islamistas com a ajuda de iraquianos, curdos, do Exército Livre da Síria e de vários outros aliados. Ele falou com emoção, explicou por que só os Estados Unidos são capazes de liderar uma coalizão contra o EI.

Obama deixou clara a diferença entre esta ação contra o "Estado Islâmico" e as guerras no Afeganistão e no Iraque: não serão enviadas tropas de combate americanas. Mas ele comparou a iminente "destruição" do EI com as operações dos EUA no Iêmen e na Somália. Só que, na Somália, o caos continua a reinar. No Iêmen, diversos grupos lutam uns contra os outros, e grupos da Al Qaeda encontram refúgio no país, que ainda não tem um governo que funcione. Se uma vitória contra o EI – ou como quer que ela seja definida – resultar numa segunda Somália ou num segundo Iêmen, ela seria um desastre.

Obama até mencionou os riscos envolvidos na luta contra o "Estado Islâmico", mas o fez apenas marginalmente. Pois a coalizão costurada às pressas contra os terroristas está longe de ser estável. O Iraque tem um novo governo, como o presidente ressaltou, mas a divisão entre xiitas e sunitas ainda é profunda. O governo iraquiano ainda não tem um ministro da Defesa. Atualmente, os curdos cooperam com Bagdá, mas, no final, querem sua autonomia, seu próprio Estado.

Obama pintou uma imagem demasiado otimista do treinamento do Exército Livre da Síria na Arábia Saudita. Mas quem pode saber se os combatentes realmente conseguirão superar as tropas fanáticas do EI, compostas em grande parte por soldados profissionais iraquianos? Obama não seria o primeiro presidente americano que entra numa guerra com otimismo demasiado e mais tarde descobre que tudo saiu diferente do esperado.

Com o discurso desta quarta-feira, o presidente quis dissipar dúvidas sobre sua vontade de liderança. Dúvidas de que ele tem uma estratégia na luta contra o "Estado Islâmico". Dúvidas de que ele não acredita mais no papel especial reservado aos Estados Unidos no mundo. Dúvidas de que ele pode ser um comandante supremo que sabe liderar, que também toma decisões difíceis. E ele conseguiu tudo isso.

Suas palavras, no entanto, terão mais peso caso o Congresso o apoie nos próximos dias e lhe conceda dinheiro para o iminente confronto com os islamistas. Aí suas palavras já não seriam mais apenas esperanças de um presidente americano, mas uma perspectiva de uma estratégia real dos Estados Unidos, respaldada por toda a elite política do país.

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