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Mundo

Opinião: O reino está unido, e a Europa, aliviada

Os nacionalistas escoceses perderam, mas a Escócia e a democracia ganharam. E a Europa pode finalmente respirar aliviada, opina o correspondente da DW em Bruxelas, Bernd Riegert.

Deutsche Welle Bernd Riegert

Bernd Riegert é correspondente da DW em Bruxelas

Foi emocionante até o fim a decisão se a Escócia votaria por se tornar um Estado independente ou continuar a fazer parte do Reino Unido. No fim, o bom senso político triunfou sobre a paixão nacionalista, até mesmo com um percentual mais elevado do que sugeriam as pesquisas de opinião.

A Escócia deve ser parabenizada pela decisão, porque qualquer outra teria sido uma aventura de graves consequências para a Grã-Bretanha e também para os vizinhos europeus. A Escócia se tornaria um Estado independente sem a proteção do Reino Unido e, possivelmente, sem a solidariedade da União Europeia (UE). O Reino Unido teria de redefinir seu papel na Europa e no mundo e, como Estado, possivelmente estaria totalmente despedaçado.

A Europa não precisa de um retorno às mesquinharias nacionalistas de séculos passados. Pelo contrário: cooperação e integração em nível europeu são necessárias.

Os escoceses, ao contrário dos demais britânicos, têm um direcionamento pró-Europa. A campanha pelo "sim" defendia a permanência na UE. Seria uma ironia da história se, em poucos anos, a Escócia fosse forçada a deixar o bloco na condição de integrante do Reino Unido – o referendo sobre a permanência se aproxima. Também aqui só se pode esperar que o bom senso prevaleça, e que o Reino Unido com a Escócia permaneça na UE.

O próximo teste serão as eleições para o Parlamento britânico, no próximo ano, que serão dominadas pela pergunta "UE, sim ou não?". O referendo na Escócia terá alguma influência. Se a Escócia tivesse optado pela independência, o primeiro-ministro David Cameron seria forçado a renunciar imediatamente. Agora, o conservador ainda tem mais uma chance de confrontar os fortes movimentos antieuropeus, até as eleições de maio de 2015.

Os escoceses não são reprimidos no Reino Unido, como disseram os partidários do "sim". Os governos conservadores, especialmente o de Margaret Thatcher, fizeram estragos na Escócia, com sua forte tradição social-democrata, mas também os escoceses já tiveram um primeiro-ministro em Downing Street, 10.

A Escócia tem uma renda per capita maior do que a de outras regiões do Reino Unido, e a taxa de desemprego é mais baixa. O país tem um governo regional forte e um Parlamento próprio. E vai adquirir ainda mais direitos. Em pânico, Cameron os prometeu e agora terá de cumprir.

Na Grã-Bretanha, já é hora de um verdadeiro debate sobre federalismo, e outras regiões também pedem mais autonomia regional, como a Inglaterra e o País de Gales.

O referendo escocês foi um triunfo da democracia: 86% da população participou da consulta, um recorde absoluto. Sem nenhum traço de apatia política, os escoceses mostraram um engajamento exemplar pela causa, não importando se eram a favor ou contra a independência. O perdedor do referendo, o primeiro-ministro escocês Alex Salmond, aceitou a derrota. E o vencedor não tripudiou.

Ambos os lados querem se reconciliar para formar um "Team Scotland" e explorar o impulso que o referendo trouxe ao norte britânico. Essa atitude democrática deve servir de modelo para outros movimentos de independência na Europa e no mundo: assim como agora na Escócia é que funcionam os processos democráticos. O referendo mostrou que os sentimentos nacionais não têm que se transformar em nacionalismo destrutivo. Dessa forma, a Escócia ganhou, mesmo que a independência do Estado tenha sido negada.

E a rainha Elisabeth, que acompanhou a votação noite adentro no seu castelo escocês de Balmoral, pôde dormir à vontade. Ela não terá que passar na velhice pelo mesmo que seus antecessores passaram. Cerca de 60 territórios deixaram o império nos últimos 250 anos. Mas a perda da Escócia teria sido particularmente dolorosa para a rainha.

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