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Mundo

Opinião: o referendo como arma

Os gregos votaram, e a maioria se declarou contra as reformas propostas pelos credores da zona do euro e pelo FMI. O governo agora tenta tirar proveito do resultado – sem merecer, opina Spiros Moskovou.

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Spiros Moskovou, articulista da redação grega da DW

A maioria dos eleitores gregos rejeitou as recentes reformas propostas pelos credores internacionais no referendo deste domingo. No entanto, como essas propostas já haviam perdido a validade com a ruptura das negociações, há dez dias, é preciso interpretar esse resultado de uma forma mais livre.

A maioria da população descarta medidas adicionais para consolidar e adequar as finanças gregas às regras da zona do euro. Com isso, ela apoia a tática e a política do governo Tsipras. A coalizão populista de governo em Atenas negociou à toa durante cinco meses, até abandonar, recentemente, a mesa de negociações.

Deveríamos demonstrar respeito para com a democracia grega e então reintroduzir o dracma? Infelizmente, a situação é mais complicada do que isso. No domingo, viam-se filas por toda parte em Atenas, não nos locais de votação, mas nos caixas eletrônicos. Todo dia, a partir da meia-noite, as pessoas tentam sacar dinheiro. Apenas cerca de 60% dos eleitores votaram no referendo, apesar de o Syriza ter mobilizado todas as reservas possíveis, até a minoria turca na Trácia. Há um número incontável de gregos fartos dos políticos de seu país e que preferem se concentrar na própria sobrevivência.

Tsipras recarrega as armas

O governo Tsipras, entretanto, celebra o "retumbante não" e, ao mesmo tempo, demonstra otimismo. Em 48 horas, Atenas vai chegar a um acordo com os credores, anuncia ele há dias. Na noite de domingo a conversa ficou mais concreta – a equipe de Tsipras traz uma nova arma para as negociações: o resultado do referendo. E também o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), publicado na quinta-feira, afirmando que a dívida do Estado grego não é sustentável e que o país necessita de uma prorrogação dos empréstimos e de um corte da dívida.

Caso os credores ainda não se tenham deixado impressionar, em Atenas foi adotada, na noite de domingo, uma medida concreta: o governo bloqueou o dinheiro depositado nos bancos, estimado em 10 bilhões de euros. As autoridades querem verificar se esse dinheiro foi acumulado por meio de evasão fiscal. Deus proteja os gregos de seus políticos!