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Mundo

Opinião: O egoísmo diletante de Tsipras

Primeiro-ministro da Grécia não trabalha para o bem de seu povo, mas apenas para a sobrevivência de seu partido. Nos bastidores do poder, o clima é de medo, opina Spiros Moskovou, da redação grega da DW.

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Spiros Moskovou é membro da redação grega da DW

Há algo de podre no Estado grego. Um governo populista recém-eleito prometeu no início de fevereiro manter o país, então à beira da falência, na zona do euro, ao mesmo tempo em que entraria em acordo com os credores internacionais sobre um pacote de resgate socialmente aceitável.

Nos últimos dias, os bancos gregos foram fechados, e controles de capital entraram em vigência. Aposentados desesperados faziam fila para sacar dinheiro de caixas eletrônicos muitas vezes vazios. A situação está completamente fora de controle. Mesmo assim, o governo organiza para o domingo um referendo estimado em 110 milhões de euros, segundo o tribunal de contas grego, na esperança de legitimar suas táticas fracassadas.

Nessas horas dramáticas, pouco antes do fim, o primeiro-ministro Alexis Tsipras revela ser dono de um senso de democracia que surpreende as outras democracias europeias. Em uma extensa entrevista à televisão pública grega na noite de segunda-feira, ele proclamou algo absurdo: se o referendo sobre as demandas dos parceiros da Grécia decidir por um "sim", ele vai respeitar o resultado, mas não vai implementar os planos. Se a vontade da maioria for "não" – algo para o qual o governo mobiliza todas as suas reservas retóricas – Atenas teria, segundo ele, um forte trunfo na continuação das negociações.

O primeiro-ministro inexperiente, que diz repetidamente falar pelo povo, anuncia com antecedência que não vai implementar a vontade do povo, caso ela não agrade a ele. Caso os gregos, no entanto, votarem como Tsipras espera, então ele vai usar a decisão como uma arma nas negociações com os credores, as quais foram abandonadas por ele na última semana.

O país que constantemente é chamado de "berço da democracia" é hoje governado por diletantes infantis. O primeiro-ministro grego não trabalha para o bem de seu povo, mas apenas para a sobrevivência de seu partido. Exatamente como os partidos tradicionais, tão veementemente difamados por ele, derrotados nas eleições em janeiro e que levaram o país por décadas na direção da atual bancarrota.

Sim, Alexis Tsipras – que se tornou a figura decisiva para a Grécia e, possivelmente, para toda a União Europeia – fala bobagem, algo além da nossa compreensão. Mas as aparências enganam: os gregos tendem a se revoltarem quando estão com medo.

Por trás da fachada da residência do primeiro-ministro, a agonia tomou conta há algum tempo. Quatro ministros pedem, a portas fechadas, por uma mudança de rumo, uma série de deputados do Syriza no Parlamento Europeu se distancia desde segunda-feira da linha oficial do partido. E, na noite de terça-feira, cidadãos se manifestaram em Atenas sob o lema "Queremos Europa". Uma última – e finalmente original – chance de se fazer uma Grécia melhor.

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