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Mundo

Opinião: O ciclo infinito de negociações

Foi intencional ou apenas incapacidade? Difícil dizer por que esta rodada de negociações sobre a crise na Grécia fracassou novamente. O correspondente da DW em Bruxelas, Bernd Riegert, está à beira do desespero.

Os radicais de esquerda no governo grego parecem ter sido tomados pelo senso de realidade pouco antes do final da contagem regressiva. Depois de o primeiro-ministro Alexis Tsipras ter guiado seu país quase à falência, de a economia ter voltado a encolher, de as pessoas terem retirando seu dinheiro das contas, de os bancos ficarem em apuros e de os turistas suspenderem suas reservas, os governantes em Atenas decidiram apresentar uma proposta negociável. Finalmente!

Não havia necessidade para esse drama todo. A solução que está se desenhando agora o governo grego poderia tranquilamente ter alcançado já em abril. Através de sua tática inexplicável de negociação, Atenas perdeu quase toda a confiança dos parceiros europeus, do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Central Europeu (BCE) e dos investidores estrangeiros. E, no entanto, a confiança é o único recurso que o país pobre em matéria-prima realmente possui.

Com a submissão tardia da posição de negociação, o governo grego desperdiçou nesta segunda-feira o que era para ser o dia da decisão. Os ministros das Finanças da zona do euro fracassaram em chegar a um acordo, porque não havia documentos maduros o suficiente para cimentar uma decisão.

A cúpula extraordinária dos chefes de Estado e de governo, que deveria ser palco para um avanço dramático, encolheu na importância para uma "cúpula de consulta" – uma nova categoria que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, inventou para encobrir o evento embaraçoso. Seria cômico, se não fosse tão trágico para a Grécia e para a zona do euro.

Merkel não fez jus à reputação de experiente gestora de crises. Ela tinha poucas respostas para muitas perguntas e parecia desorientada. Alexis Tsipras conduziu novamente os parceiros europeus como quis. Ele sabe muito bem que eles não vão deixá-lo ir à falência, pois as consequências para o projeto de unificação do euro são provavelmente incalculáveis. Portanto, mais uma rodada de negociações, mais uma cúpula na quinta-feira.

Enquanto isso, o momento da verdade se aproxima: o risco iminente da saída da zona do euro em 30 de junho. Ao menos, o governo grego parece ter percebido que o prolongamento do programa atual de resgate é tecnicamente necessário para liberar fundos. Isso pressupõe a existência de um acordo nas próximas 48 horas.

Alexis Tsipras levou, por assim dizer, um belo chute no traseiro dos outros 18 líderes da zona do euro. Ele agora tem que assumir responsabilidades e não pode continuar exigindo mais dinheiro, afirmou a presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite. A repreensão surtirá efeito? Conseguirá Alexis Tsipras impor possíveis concessões em Atenas? Ninguém pode dizer com certeza.

Uma coisa é certa: a tragédia grega está longe de terminar. Mesmo que haja acordo sobre o segundo programa de resgate, esse dinheiro será suficiente para sustentar a desolada economia Grega apenas por uma semana. Aí é que vêm as negociações realmente complicadas sobre uma solução viável para o problema da dívida. Serão tratados um provável alívio da dívida, deferimentos e reformas profundas. Ou seja, o pior ainda está por vir.

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