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Mundo

Opinião: novas eleições são vaga esperança para os palestinos

Como saída para a crise política, o presidente Mahmud Abbas anunciou a convocação de novas eleições. Para o analista Peter Philipp, é mais do que questionável se a decisão resolverá os problemas dos palestinos.

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Uma democracia sem eleições livres é inimaginável, mas, por outro lado, as eleições livres, por si só, estão longe de ser a democracia. Nas últimas semanas, essa constatação realista deve ter novamente se espalhado, em especial pelos EUA – provocada pelos acontecimentos no Oriente Médio.

Primeiro, o Iraque: um ano após as primeiras eleições realmente livres, a situação no país é pior do que nunca, e tudo se encaminha tão rapidamente para uma guerra civil que até mesmo críticos da ocupação americana alertam que uma retirada muito rápida das tropas tornaria o caos ainda maior. Os sauditas, que costumam ficar de fora de tudo, chegaram até a avisar que, em caso de um retirada precipitada dos EUA, eles dariam todo apoio necessário aos sunitas no Iraque.

Peter Philipp

Em Bagdá tenta-se agora demonstrar unidade nacional e conciliação, mas isso deve dar tão errado quanto deu no Líbano. Também lá aconteceram eleições livres e foi formada uma coalizão de governo tão ampla quanto possível. Mas há semanas que ela se encontra sob forte pressão do Hisbolá e de seus aliados, os quais formam uma minoria que tudo bloqueia no gabinete de governo. A alternativa – prevêem muitos libaneses – será uma nova guerra civil.

É exatamente isso o que muitos palestinos temem que aconteça nos territórios autônomos e o que o presidente Mahmud Abbas espera conseguir evitar com as novas eleições. Porta-vozes do islamista Hamas acusam Abbas de fazer um abuso inconstitucional do poder e convocam resistência ao que classificam de "tentativa de golpe vinda de cima". Também isso pode levar a uma guerra civil.

E, caso isso não aconteça, é mais do que questionável se novas eleições poderão solucionar o problema. O Hamas foi eleito em janeiro porque as pessoas estavam fartas da corrupta OLP, porque o processo de paz não deu retorno e porque a falta de perspectivas e de esperança alcançou um suposto nível máximo nos territórios palestinos. Suposto nível máximo, pois nesse meio tempo tudo ficou ainda pior.

Porque o Hamas não mantém os acordos da OLP com Israel e não reconhece Israel, o governo do Hamas é boicotado pelo Ocidente e faltam recursos urgentemente necessários. Funcionários contrabandeiam doações árabes e iranianas, mas não é possível governar assim. Todas as tentativas de formar uma ampla coalizão com especialistas sem vínculos partidários fracassaram, e depois de se ter chegado a uma série de atentados de ambos os lados – entre eles um contra o primeiro-ministro Haniyeh –, o presidente Abbas parece ter concluído que somente as eleições (para o Parlamento e a presidência) podem trazer a salvação.

Uma vaga esperança. Pois eleições, por si só, não trouxeram mudanças no Iraque nem no Líbano. Por que, numa segunda tentativa, deveria ser diferente na Palestina?

Peter Philipp é chefe da equipe de correspondentes da Deutsche Welle e especialista em Oriente Médio.

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  • Data 18.12.2006
  • Autoria (as)
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