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Mundo

Opinião: Nova adesão perigosa na UE

Entrada da Croácia tem riscos econômicos e ameaça levar velhos conflitos para dentro do bloco, opina Bernd Riegert. Entre as dificuldades está convencer que o momento é apropriado para admitir mais um país em crise.

É claro que a Croácia pertence à Europa, tanto por sua situação geográfica quanto por sua história. E, portanto, pertence também à UE, a comunidade da democracia europeia. Da mesma forma que todos os demais países dos Bálcãs, a Croácia precisa ser integrada à União Europeia, no mínimo para estabilizar a região e, no futuro, impossibilitar guerras fratricidas, como a ocorrida após a dissolução da Iugoslávia.

Os cidadãos croatas necessitam de uma perspectiva europeia, e isso a UE tem repetidamente prometido e assegurado através de acordos. Agora chegou a hora. Porém a questão é: será julho de 2013 realmente o momento ideal para uma adesão?

Apesar de todos os processos de adaptação, o aparato jurídico e policial da Croácia ainda não corresponde aos padrões europeus. Os problemas com a persecução da criminalidade e corrupção podem se tornar ainda mais graves do que eram – e são – na Romênia e na Bulgária.

Deutsche Welle Bernd Riegert

Bernd Riegert

Do ponto de vista econômico, a Croácia se encontra em crise: sua economia mingua, o déficit é o dobro do permitido pelo Pacto Europeu de Estabilidade e o desemprego entre jovens alcança 40%.

É possível argumentar que, na qualidade de membro da UE, o país terá mais chances de enfrentar esses problemas com sucesso. A favor desta tese está o fato de que as verbas de Bruxelas para a Croácia naturalmente aumentam com seu ingresso no bloco.

Por outro lado, fica difícil explicar aos cidadãos da União Europeia por que se deve agora incluir mais um país em crise, sendo que já conta Chipre, Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda.

Nunca se discutiu seriamente se, neste momento, a UE está sequer apta a uma ampliação. Com a adesão da Croácia, cresce o perigo de que sejam importados para dentro do bloco os conflitos com antigos adversários de guerra, assim como as tensões étnicas balcânicas. No momento, tudo está pacífico, mas, no futuro, os croatas podem, como membros da UE, por exemplo, tentar manter a candidata Sérvia fora da comunidade.

Teria sido mais aconselhável trazer ao mesmo tempo para dentro do bloco europeu todas ex-repúblicas iugoslavas, conjuntamente. Pois assim os conflitos – como o na Bósnia-Herzegóvina ou aquele entre Sérvia e Kosovo – deveriam ter sido esclarecidos antes da filiação.

Dentro de poucas semanas, a Croácia será parte da União Europeia – quanto a isso, não há dúvida. Mas ainda falta esclarecer se, a longo prazo, essa ampliação favorecerá o bloco.

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