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Mundo

Opinião: Nobel para Malala é sinal acertado

Com o prêmio da paz, a jovem paquistanesa se torna um modelo de reconciliação e diálogo. Também para os muçulmanos do mundo que rejeitam as atrocidades extremistas, diz o chefe da redação urdu da DW, Florian Weigand.

Deutsche Welle REGIONEN Asien Paschtu Dari Florian Weigand

Florian Weigand, chefe da redação urdu da DW

"Eu não odeio o talibã que atirou em mim. Mesmo quee ele tivesse uma arma na mão e estivesse diante de mim, eu não atiraria nele. Essa é a misericórdia e compaixão que eu aprendi com Maomé, o profeta da piedade, com Jesus Cristo e Buda." Palavras contundentes de reconciliação e diálogo ditas por uma adolescente perante a Assembleia de Jovens da ONU, em julho de 2013. Embora já tivesse sido indicada na época, Malala Yousafzai teve que esperar mais um ano até receber o Prêmio Nobel da Paz.

O comitê em Oslo tomou uma boa decisão. Pois não importa se foi Malala a achar tais palavras ou se uma hábil consultoria de relações públicas as escreveu para ela: fato é que a jovem de 17 anos faz de suas palavras, atos. Mesmo quando foi gravemente ferida pela bala de um homicida, só se recuperando após longo tratamento, ela não se deixou intimidar, mas tampouco nutriu sentimentos de vingança. Ela é a ideal embaixadora da paz, assim como Alfred Nobel teria imaginado.

Assim, o comitê restaurou sua reputação, após as controversas decisões dos últimos anos, em que primeiro Barack Obama recebeu louros antecipados e – a partir da perspectiva atual – injustos; sendo seguido por instituições abstratas e impessoais como a União Europeia ou a Organização para a Proibição de Armas Químicas, cujos inspetores atuavam na Síria, na época.

Mas também numa perspectiva mais ampla, a decisão é um sinal importante e positivo. Malala é da etnia pachto e vem do Vale de Swat, no Paquistão, uma notória área de operações do Talibã. Em oposição à imagem dos extremistas barbudos de sua terra natal, já profundamente arraigada na psique da comunidade global, Malala é agora a contrapartida mundialmente conhecida.

E, acima de tudo, a muçulmana presta um serviço importante à sua fé. Ela coloca em primeiro plano a mensagem de paz do islã e estende a mão às outras religiões. Desta forma, pode se tornar um modelo para os muçulmanos esclarecidos do mundo, que se desesperam diante das atrocidades cometidas pelos extremistas.

Igualmente significativo é sinal que o Comitê norueguês do Nobel envia aos governos da região. Enquanto o Paquistão e a Índia estão novamente envolvidos em escaramuças ao longo da linha de demarcação de Caxemira, juntamente com a jovem paquistanesa o júri homenageou também o indiano Kailash Satyarthi, ativista de 60 anos que combate a exploração infantil e segue a tradição de Mahatma Gandhi.

De forma absolutamente explícita, o comitê do Nobel dá a entender que a constante desconfiança entre Nova Déli e Islamabad precisa ter fim, e que existem problemas importantes – como educação e proteção para as crianças –, que cabe encarar em conjunto e de forma pacífica.

O Prêmio Nobel da Paz será agora o aspecto dominante na vida de Malala – um fardo nada leve para uma adolescente. As expectativas que serão depositadas nela no futuro tornaram-se ainda mais elevadas. Bem como o bem real perigo de vida, que o meio dos extremistas volta contra ela. Nesse contexto, será quase impossível uma vida normal. Vamos torcer para que a jovem não sucumba sob a pressão.

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