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Mundo

Opinião: Nem Israel nem o Hamas podem falar em vitória

Após quase dois meses de hostilidades, ambos tiveram que fazer concessões para alcançar cessar-fogo. Verdadeiros focos de discórdia estão longe de serem resolvidos, e conflito não teve um vencedor, opina Anne Allmeling.

GMF Foto Anne Allmeling

Anne Allmeling, jornalista da DW

Mostrar força – isso é importante para o Hamas na Faixa de Gaza. Durante sete semanas, a organização islâmica lutou contra Israel, lançou foguetes, manteve em xeque os soldados inimigos. Em contrapartida, teve que suportar retaliações homicidas: mais de 2 mil palestinos foram mortos nas últimas semanas, incluindo muitos civis.

Mesmo assim, o Hamas não quis desistir. Só agora concordou com um cessar-fogo permanente com Israel, o qual satisfaz apenas um mínimo de suas exigências, nada mais. Ainda assim, o Hamas festeja como vencedor. Mesmo sendo esta uma vitória que já poderia ter alcançado há semanas.

Mostrar fraqueza – isso está fora de cogitação para o governo israelense. A cada novo foguete palestino que caía em solo israelense nas últimas semanas, o Exército contra-atacava. Centenas de crianças palestinas perderam a vida, e inúmeros prédios foram destruídos na Faixa de Gaza – incluindo escolas e hospitais, em parte dos quais mísseis estavam armazenados. Israel tornou-se ainda mais vulnerável e perdeu prestígio internacional. Ainda assim, seu governo se vê como vencedor.

Entretanto, o balanço da recente guerra mostra que ambos os lados não ganharam muito. O Hamas pretendia uma suspensão total do bloqueio israelense a Gaza: este agora será relaxado. Porém, ao falarem de uma "vitória" sobre Israel, os combatentes do Hamas perdem credibilidade. Pois os israelenses controlam em suas fronteiras quais bens humanitários e materiais de construção podem entrar na na Faixa de Gaza para sua reconstrução.

Além disso, no futuro, a passagem de fronteira de Rafah, para o Egito, será controlada por forças de segurança da Autoridade Nacional Palestina. Isso enfraquece o Hamas na disputa de poder interna palestina e fortalece o Fatah do presidente Mahmoud Abbas, que domina a Cisjordânia.

Além disso, o Hamas terá que colaborar com o regime militar egípcio, que expulsou do governo a Irmandade Muçulmana, aliada do grupo palestino. A retórica de vitória dos radicais palestinos visa desviar a atenção desse "pequeno defeito" nos acordos mais recentes.

Os israelenses não festejam com tanto alarde. Talvez por terem menos necessidade disso. É fato que o governo não atingiu sua meta: o desarmamento do Hamas. Porém, de certa maneira, o avanço dos extremistas do "Estado Islâmico" na vizinha Síria e no Iraque vem a calhar para os israelenses. Ele acirra o medo de um caos incontrolável no Oriente Médio e enfraquece a solidariedade internacional com grupos radical-islâmicos, como o Hamas.

Israel tampouco tem motivos para se sentir como vencedor. Pois, para que o cessar-fogo se mantenha, o país terá que fazer novas concessões. O Hamas exige um aeroporto e um porto próprios em Gaza, além da libertação de presos palestinos.

Os israelenses, em contrapartida, seguem pressionando por um desarmamento total de todos os grupos palestinos na Faixa de Gaza. Se ambas as partes do conflito se apresentam agora como vencedoras, é também por saberem que os verdadeiros focos de discórdia estão longe de serem resolvidos.

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