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Mundo

Opinião: Não vamos nos deixar intimidar pelo terrorismo

Apesar do perigo de atentados cometidos por jihadistas e apoiadores do "Estado Islâmico", países ocidentais devem se manter fiéis a seus princípios, afirma o jornalista Felix Steiner.

Deutsche Welle Felix Steiner

Felix Steiner é jornalista da DW

Primeiro, o atropelamento intencional de dois soldados perto de Montreal. Dois dias depois, o ataque a tiros contra um soldado que fazia a guarda do Memorial Nacional de Guerra e o tiroteio no Parlamento de Ottawa.

Em todos os casos, as vítimas foram escolhidas aleatoriamente. Exatamente como as vítimas do ataque ao Museu Judaico de Bruxelas, em maio. Ou o soldado britânico que, um ano antes, foi literalmente mutilado numa rua de Londres por dois homens.

Os autores, em todos os casos: muçulmanos fanáticos. Essa violência indiscriminada no meio de metrópoles do Ocidente assusta – e existe para assustar, pois essa é a essência do terrorismo.

Isso também pode acontecer na Alemanha, já hoje ou amanhã, pois também há muçulmanos fanáticos no país. Mais de 450 já devem ter embarcado para a Síria ou o Iraque para se associar aos terroristas do "Estado Islâmico".

E cerca de cem já devem ter retornado à Alemanha, ainda mais radicais em comparação ao momento da partida. Quer dizer, com experiência em batalhas e acostumados à brutalidade ou, como dizem os especialistas em segurança, bombas-relógio em potencial.

Como lidar com esse perigo? Podemos nos proteger dessa ameaça? Nós, alemães, damos muito valor à segurança e usamos capacetes tanto para pedalar como para esquiar, porque queremos nos proteger.

Mas, se quisermos ser sinceros conosco, devemos admitir que não existe segurança absoluta, não diante de criminosos como os de Montreal, Ottawa, Bruxelas ou Londres.

Isso é trágico? Não! Pois renunciamos à segurança absoluta em muitas áreas de nossas vidas. Em viagens de carro durante as férias ou ao limpar a janela, morrem na Alemanha, ano a ano, muito mais pessoas do que por causa do terrorismo. E, apesar disso, ninguém deixa de viajar nas férias ou vive atrás de vidros sujos.

O meu herói da semana se chama Stephen Harper. Após o segundo ataque desta semana, o primeiro-ministro canadense fez uma declaração firme e a única possível ao seu povo: "Nós não vamos nos intimidar!" Isso quer dizer: queremos continuar sendo uma sociedade tolerante e livre. E queremos continuar sendo uma sociedade fundamentada no Estado de Direito.

Por isso, todos devem, numa sociedade ocidental livre, continuar a viver sem controle e livres de suspeita generalizada – não interessa se cristão, judeu, muçulmano, budista ou ateu. E, por isso, essas sociedades continuam abertas a imigrantes. Principalmente se estes, em seu país de origem, estiverem ameaçados. "Nós acolhemos somente cristãos" não pode ser, de jeito nenhum, uma solução para um país que respeita o princípio de uma sociedade tolerante.

Somos um país livre e vamos continuar a usufruir das nossas liberdades. Vamos organizar feiras de Natal e nos reunir nelas aos milhares. Vamos também aos estádios de futebol. Vamos simplesmente continuar vivendo as nossas vidas. E não vamos ficar pensando onde ou em qual pessoa poderia se esconder um perigo.

Uma sociedade livre é, antes de tudo, uma sociedade tolerante. Nela, todos podem pensar e dizer o que querem. A tolerância só acaba onde os atos de um restringem a liberdade do outro. E principalmente lá onde os fundamentos da nossa vida social estão ameaçados: uma lição histórica especificamente alemã é que o Estado não deve abrigar seu inimigo. Por isso, a proibição da propaganda jihadista na Alemanha está perfeitamente correta e não fere esses princípios.

A força de uma sociedade se mostra principalmente nas crises: quando ela se mantém fiel a seus princípios, mesmo diante da ameaça de seus inimigos. E não quando ela, com base apenas em uma suspeita, passa a grampear telefones, prender, recolher passaportes ou retirar cidadanias. Ou cria um espaço acima da lei, como Guantánamo.

O Estado de Direito é um fim em si mesmo. Perante as nossas leis, todos são iguais. Mesmo quando radicais querem nos privar de nossa dignidade e matam de forma bestial cidadãos de nossos países na frente de câmeras de televisão: nós vamos tratar esses criminosos de acordo com a nossa lei e o nosso Direito.

Nós não vamos nos deixar intimidar – o contrário seria uma vitória para o terrorismo.

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