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Mundo

Opinião: Não haverá aliança russo-americana na Síria

Após Putin receber Assad no Kremlin e EUA e Rússia fecharem acordo sobre espaço aéreo no Oriente Médio, conflito sírio só deve se agravar – com consequências graves para a Europa, opina Ingo Mannteufel.

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Ingo Mannteufel, chefe da redação russa e do Departamento Europa da DW

As notícias chegaram quase simultaneamente: os EUA e a Rússia acertaram acordos militares para evitar incidentes no espaço aéreo da Síria, e o presidente russo, Vladimir Putin, recebeu em Moscou o mandatário sírio, Bashar al-Assad. Será esse o início de uma coalizão russo-americana no conflito sírio? E isso promove uma solução para a guerra e talvez até para a crise de refugiados enfrentada pela Europa, em particular pela Alemanha? De modo algum!

Nem a Rússia nem os EUA têm um interesse prioritário em solucionar a crise de refugiados na Europa. Ambos os países estão interessados em seus jogos de poder e na proteção de seus interesses nacionais no Oriente Médio. Internamente, o Kremlin quer criar uma distração para a crise econômica com uma intervenção militar bem-sucedida na Síria – substituindo a propaganda contra os "fascistas ucranianos" pela luta contra o Estado Islâmico (EI) na Síria.

Externamente, a política russa se concentra na influência do país no Oriente Médio, e para isso o Kremlin se comprometeu a manter Assad no poder. O fato de o líder sírio ter viajado ao exterior pela primeira vez desde 2011, quando seu país entrou em guerra civil, e ter sido recebido por Putin em Moscou deixa a política do Kremlin evidente. Ingênuos os que pensaram que Putin abandonaria Assad.

No entanto, a política russa para o Oriente Médio vai além de Assad: Moscou praticamente se juntou ao eixo xiita no Oriente Médio (que inclui Irã, Iraque, Síria e o Hizbollah no Líbano) contra forças sunitas, sobretudo na região do Golfo e nos territórios sob controle do EI no Iraque e na Síria.

Mas não só a política russa para o Oriente Médio foi mal interpretada, mas também a americana. Com base na tradição das últimas décadas, parte-se do princípio de que os EUA continuariam a intervir militarmente na região.

Mas essa interpretação ignora a estratégia americana no Oriente Médio sob a presidência de Barack Obama. Após o fiasco da política de intervenção dos EUA no Afeganistão, no Iraque e na Líbia, a política externa de Obama para a região foi revisada sob intensas críticas internas. Obama concluiu que os EUA devem focar nos interesses nacionais mais importantes, como a segurança de Israel, com ênfase em impedir que o Irã obtenha armas nucleares, um cenário que está se concretizando após o acordo histórico assinado em Teerã em meados deste ano.

Ao contrário do que ocorreu no passado, o Iraque e a Arábia Saudita não desempenham mais um papel de extrema importância para os americanos. Graças à revolução do gás e do óleo de xisto nos últimos anos, os EUA se tornaram energeticamente independentes pela primeira vez desde a crise do petróleo dos anos 1970. Tudo isso tem servido como base para uma política contida dos EUA no Oriente Médio – e não uma suposta relutância ou fraqueza de Obama.

Portanto, não é de se esperar uma aliança russo-americana na Síria. Por que os EUA fariam esse favor à Rússia? Pelo contrário, é mais factível uma diminuição do comprometimento dos EUA na Síria.

É mais provável que os EUA retrocedam, enquanto a Rússia mergulha nessa guerra religiosa entre xiitas e sunitas, que ainda tem o final em aberto. E Moscou deve ficar atenta para não ser vítima dos mesmos revezes sofridos pelos EUA na região.

Para a Europa, a temida escalação do conflito sírio significa que a crise de refugiados deve se agravar ainda mais.

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