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Mundo

Opinião: Não há sinal de fim do conflito na Ucrânia

A libertação dos militares ocidentais e ucranianos das mãos dos separatistas pró-russos pode ter dado um fio de esperança. Mas a verdade é que a pacificação ainda está num horizonte distante, opina Ingo Mannteufel.

Ingo Mannteufel

Ingo Mannteufel, chefe da redação russa

Pouco mais de uma semana após terem detido militares ocidentais e ucranianos em Slaviansk, as forças separatistas pró-russas no leste da Ucrânia os libertaram com base num acordo com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Vladimir Lukin, enviado especial do presidente russo, Vladimir Putin, conseguiu a soltura dos detidos, sem qualquer imposição de condições.

É louvável que as forças separatistas tenham liberado os homens que chegaram a chamar de "espiões da Otan" e de "prisioneiros de guerra". Da mesma forma, deve ser apreciado o fato de a Rússia – sob pressão do Ocidente e com a intercessão do ex-chanceler federal alemão Gerhard Schröder – ter, por fim, intermediado o processo. Infelizmente, porém, a libertação do grupo da OSCE, não é um sinal de pacificação do conflito.

Imagens de uma guerra

Os confrontos entre tropas de Kiev e militantes separatistas fortemente armados na região de Donetsk, leste da Ucrânia, continuam se acirrando. O ministro ucraniano do Interior, Arsen Avakov, informou neste sábado (03/05) que continuam as operações militares contra forças pró-russas na comunidade de Kramatorsk, a poucos quilômetros de Slaviansk.

Da mesma maneira, os últimos acontecimentos na cidade portuária de Odessa, sudoeste do país, fazem crer que haverá um agravamento dos conflitos. Na noite da última sexta-feira houve choques entre grupos pró-Kiev e pró-Moscou. Um incêndio no prédio de um sindicato deixou dezenas de mortos.

De ambos os lados do conflito, há forças que promovem uma escalada da tensão e almejam uma solução violenta. A saída pacífica para a crise na Ucrânia, defendida pelos países ocidentais, tem cada vez menos adeptos, dos dois lados. Os separatistas pró-Rússia apostam claramente numa desestabilização da Ucrânia, a fim de impedir que ocorram as eleições presidenciais marcadas para dia 25 deste mês.

Diante da contínua perda de controle no leste, o governo em Kiev está numa situação difícil. Agora, ele enfrentasob forte pressão da opinião pública ucraniana para demonstrar força e reagir com violência contra os separatistas. Ficar de braços cruzados, enquanto a Ucrânia vai se esfacelando, enquanto Estado, é complicado. Essa mistura explosiva de intransigência, incitação do medo e acusações mútuas é a receita para uma guerra civil na Ucrânia, especialmente quando a vizinha Rússia desempenha um papel diabólico nesse jogo.

Pérfida tática russa

A substituição, no poder da Ucrânia, do pró-russo Viktor Yanukovytch pelo presidente interino Olexandr Turtchinov e seu primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk, ambos pró-Ocidente , despertou no Kremlin o medo de perder a Ucrânia para a União Europeia, no jogo geopolítico, e, a médio prazo, para a Organização do Tratado do Atlântico Norte. Por isso, o governo russo se aproveitou da momentânea fraqueza de Kiev e em março anexou a Crimeia.

Agora, a política russa tem como meta impedir a realização da eleição presidencial de 25 de maio e, com ela, a legitimação da nova autoridade central ucraniana. Aparentemente, o Kremlin assume conscientemente o risco de precipitar a Ucrânia num futuro belicoso – talvez esta seja até mesmo a sua intenção.

Moscou tem uma influência muito maior sobre os separatistas do que admite, e poderia exercê-la, se realmente quisesse. Isso ficou demonstrado agora, com a libertação dos inspetores da OSCE, alcançada graças à mediação do enviado especial russo.

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