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Ciência e Saúde

Opinião: Mudanças climáticas chegam à Europa Central

Nos últimos dias os alemães têm reclamado do calor e procurado maneiras de se refrescar. A onda de calor se deve, em parte, às mudanças climáticas. Chegou a hora de combatê-las, opina o articulista Jens Thurau.

Está quente na Alemanha

, realmente quente. Os jornais estão cheios de dicas sobre como suportar temperaturas de mais de 40 graus: evite atividades físicas extenuantes, fique na sombra e beba muito líquido. A cúpula do Parlamento Alemão, em Berlim, foi

fechada diversas vezes na semana passada

para evitar que os turistas derretam com o calor dentro da estrutura de vidro.

No Estado de Baden-Württemberg, a polícia rodoviária tem pedido aos motoristas que não ultrapassem os 80 quilômetros por hora por causa do calor. As velhas estradas de concreto podem ficar irregulares e formar rampas parecidas com as de pistas de esqui. No Parque Sanssouci, em Potsdam, árvores dos tempos do rei Frederico 2º, da Prússia, datadas do século 18, estão ameaçadas devido ao calor.

Mas ninguém fala de mudanças climáticas. A maioria das pessoas na Alemanha enxerga isso como um problema de outras regiões, como a África – onde a desertificação e a fome têm levado à guerra e ao êxodo de populações inteiras – ou a Polônia, onde o gelo está derretendo. Os centro-europeus têm se saído relativamente bem quando o assunto é efeito estufa.

Muitos ainda acreditam que um fenômeno meteorológico extremo não é prova de que o clima mudou. Mas todos os cientistas concordam que o número de ondas de calor continuará aumentando – mesmo na Europa Central – e eles dão razões para isso.

Em março, quando muitas previsões do tempo anunciavam um verão quente, o renomado Instituto de Potsdam sobre os Impactos da Mudança Climática (PIK) publicou um estudo no jornal Science, intitulado Enfraquecimento das tempestades de verão levam a extremos de calor mais persistentes.

De forma simples, a teoria diz que as mudanças climáticas causadas pelos seres humanos têm levado ao derretimento das calotas polares. A água em estado líquido armazena o calor do sol melhor do que o gelo, que reflete o calor. Assim, a água no extremo norte está esquentando, e consequentemente o ar também. Este fenômeno reduz a diferença de temperatura entre as camadas de ar nos hemisférios Norte e Sul – o que reduz a intensidade dos ventos e tempestades. Então o calor agora chega com menos movimento de ar; o ar fica estagnado.

As mudanças climáticas existem e não somente para as pequenas ilhas do Oceano Pacífico destinadas a submergir. Todos sabem disso, exceto um pequeno grupo nos Estados Unidos, com mentalidade voltada para os negócios, que não pode ser convencido do contrário.

Só que todos precisam arcar com as consequências e mudar do petróleo e do carvão para as energias renováveis. E já. As pessoas têm que se acostumar com novas formas de mobilidade, parar de depender de automóveis convencionais e começar a pensar melhor na conservação das florestas.

Há razões para otimismo: após muitos anos de estagnação nas políticas ambientais, temos a nova

iniciativa do presidente Barack Obama

e os florescentes movimentos ambientais na China. As chances de que um tratado internacional genuíno seja assinado na Conferência do Clima em Paris (COP-21) são grandes.

Mas o sistema climático é letárgico. Assim, ondas de calor como as que estão acontecendo agora na Alemanha vão continuar até que algo seja feito. Por enquanto, é melhor se acostumar com esse calor: evitar atividades físicas extenuantes, ficar à sombra e beber bastante líquido.

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