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América Latina

Opinião: Mortes de estudantes de Ayotzinapa não foram em vão

Pais de 43 jovens assassinados no México mostram que "verdades históricas" são legitimadas a partir do ponto de vista das vítimas e que é necessário romper o silêncio que gera o terror, opina Claudia Herrera Pahl.

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Claudia Herrera Pahl, chefe da redação espanhola da DW

Exatamente um ano se passou desde o triste episódio de Ayotzinapa. Depois de 365 dias do desaparecimento de 43 alunos no estado mexicano de Guerrero, as opiniões públicas mexicana e internacional ainda continuam sem saber exatamente o que ocorreu naquele fatídico 26 de setembro nas ruas de Iguala. Sabemos que foi uma noite de terror e horror indescritíveis e, embora haja muitas versões, ainda não se conhece a verdade.

Um cenário à primeira vista devastador e desesperador, mas apenas para o mal observador. Neste 26 de setembro, quando os parentes dos desaparecidos lembram seus filhos e celebram a memória deles, eles não estão sozinhos. Neste primeiro aniversário, as sociedades civis mexicana e internacional homenageiam os desaparecidos e, sobretudo, os pais deles, que lembram dia após dia a toda uma nação que há direitos intocáveis e que o único caminho viável é lutar por eles.

Os pais de Ayotzinapa vêm lutando há um ano. Muitos criticaram os métodos deles quando foram violentos, e muitos suspeitam que forças políticas os manipulam. Mas nos perguntamos o que mais eles poderiam fazer. Aceitar, "virar a página e superar o momento de dor", conforme solicitado pelo presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, em dezembro de 2014? Aceitar dar o caso por encerrado, como ditou em janeiro de 2015 o então procurador-geral mexicano Jesús Murrillo Karam, ao declarar como "verdade histórica" que os jovens foram mortos e foram vítimas de um ato incongruente e desproporcionado dos traficantes de drogas do cartel Guerreiros Unidos?

A investigação exaustiva dos fatos – que ainda não foi concluída – e as evidências científicas fizeram cair por terra aquela verdade histórica propagada pelo governo mexicano. Essas evidências científicas e o estabelecimento do grupo de investigação independente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) não teriam se tornado realidade sem a luta férrea e inflexível dos pais de Ayotzinapa.

Os pais de Ayotzinapa nos mostram que as "verdades históricas" são estabelecidas e legitimadas a partir do ponto de vista das vítimas e de ninguém mais; nos ensinam que devemos quebrar o silêncio que gera terror e nos mostram que não são necessário nem títulos nem riqueza para se fazer a coisa certa. Os pais de Ayotzinapa nos dão confiança no futuro.

No México, existem milhares de crimes a serem resolvidos. O país tem uma dívida pendente com mais de 25 mil desaparecidos. "Não podemos ir para casa sem saber onde estão nossos filhos" – uma simples frase que resume muito mais: o direito à verdade e o direito à justiça. Ayotzinapa não foi em vão.

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