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América Latina

Opinião: México votou a favor da estabilidade

A atual coalizão governamental foi claramente confirmada nas urnas. No entanto, o presidente Peña Nieto não deve entender a mensagem como um "continue assim", opina Uta Thofern, chefe do Departamento América Latina.

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Uta Thofern, chefe do Departamento América Latina

Com uma participação nas urnas – relativamente – alta e um resultado claro, essa eleição foi, primeiramente, uma vitória para a democracia do México. Isso não era necessariamente óbvio, depois de uma campanha em parte sangrenta, em parte suja, marcada por assassinatos ligados ao narcotráfico, protestos violentos e convocações ao boicote.

Em segundo lugar, o resultado é uma óbvia vitória para o presidente Enrique Peña Nieto, que pode levar adiante sua política reformista, embora há muito já tenha perdido o apoio da oposição para tal.

Em terceiro lugar, o êxito dos candidatos independentes e a ascensão dos pequenos partidos mostram que o panorama político mexicano entrou em movimento – sinal, por um lado, de uma democracia viva, por outro, de grande insatisfação.

E assim, em quarto lugar, fica um mal-estar. Pelo fato de, em alguns estados do sudoeste, os eleitores só terem consigo acesso às urnas sob proteção militar – ou nem assim; por um ex-político ter sido assassinado a tiros, no próprio dia das eleições – uma entre mais de uma dezena de vítimas de quase todos os partidos –; por manifestantes mascarados terem invadido locais de votação e feito fogueiras com as cédulas; pelo fato, segundo pesquisas de opinião, de mais de 90% dos mexicanos não terem confiança na política.

Tudo isso deixa claro quão frágil ainda é essa democracia, e quão grande o círculo dos que se sentem excluídos.

O presidente Peña Nieto levou o país adiante em diversos campos, suas reformas da economia e do ensino estão na direção certa. No combate à narcocriminalidade, violência e corrupção, contudo, ele fez poucos progressos até agora, da mesma forma que todos os seus antecessores.

Reformas dos sistemas policial e jurídico para suplantar a impunidade já foram esboçadas, porém estão longe de ser implementadas – assim como tantas coisas que acabam emperradas no caos de alçadas e competências da república federal do México.

A ala radical do sindicato dos professores conseguiu sustar uma peça central das reformas do ensino, apresentando assim a prova de que esse governo é passível de chantagem. Além disso, também Peña Nieto está sob acusações de corrupção.

Em tais circunstâncias, é difícil criar um novo clima de confiança. E ainda mais difícil por esse presidente não ter ainda sido capaz de demonstrar alguma forma de empatia ou compaixão pelos pobres e destituídos de seu país.

O procedimento em relação ao simbólico desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa é, para muitos mexicanos, um atestado da arrogância distanciada da classe política. O advogado das vítimas não é o governo, como encarregado da proteção de seu povo, mas sim o sindicato dos professores, que demonstrou seu desprezo pela democracia com os protestos violentos contra as eleições.

Na segunda metade de seu mandato, Peña Nieto está diante da tarefa de levar a cabo suas reformas. Para tal, também deveria trazer a oposição de volta a bordo. Mas, antes de tudo, ele precisa se transformar no presidente de todos os mexicanos.

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