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Mundo

Opinião: México não aprendeu a lição

Quatro meses após o desaparecimento de 43 estudantes em Iguala, protestos são anunciados novamente no México. Chefe do departamento América Latina da DW, Uta Thofern, lamenta ausência de movimento político sério no país.

Deutsche Welle Uta Thofern

Uta Thofern é chefe da redação para a América Latina da DW

O massacre de Iguala poderia ter sido o início de uma verdadeira mudança no México. Pela primeira vez, ficou provado claramente que a polícia coopera com os cartéis de drogas e que está envolvida em atos de violência – isso foi constatado e denunciado pela principal autoridade de investigação no México.

A indignação diante do fato de um prefeito ter feito desaparecer, com a ajuda de suas próprias unidades policiais, todo um grupo de manifestantes desagradáveis ofereceu a oportunidade de um levante da sociedade civil. Um levante pacífico de um Estado de direito contra a corrupção e a impunidade, num país dominado pelo medo e pela violência, depois de anos de guerras contra as drogas.

Tal movimento teria certamente ampla simpatia e apoio internacionais. Um compromisso sério da sociedade civil com ações e exigências concretas teria significado, como foi o caso da Colômbia, o começo do fim da impotência. Para quebrar o poder da corrupção, não é preciso somente a participação do Estado, mas também uma opinião pública madura.

Faz-se necessário uma sociedade civil que ofereça proteção e apoio a pessoas e instituições, que se oponha à infiltração por parte dos cartéis. É preciso um movimento político que formule alternativas – talvez outra política de drogas, um código de ética para políticos, uma maior cooperação internacional. Ideias e exemplos não faltam.

Mas o que se deve achar de um protesto, cujas exigências beiram a irracionalidade há meses? Encontrar vivos os alunos desaparecidos – este é um desejo mais do que compreensível entre os familiares. Como reivindicação política, porém, ele é ineficaz. Também não é razão para justificar novas investigações de instituições estatais. E também não serve como desculpa para ações violentas.

Então a dor a e a tristeza das famílias são instrumentalizadas, algo que elas não desejavam. Mas as imagens de seus filhos desaparecidos já se tornou há tempos símbolo de um furor, que se volta contra o "Estado" de forma tão genérica quanto difusa, inclusive contra a pessoa do presidente.

Da mesma forma que a ira e a desconfiança são compreensíveis neste país, suas consequências também são paradoxais: não somente a oposição sai lucrando politicamente. Acima de tudo está o partido que nomeou o acusado prefeito de Iguala e que, para os manifestantes, é tão corrupto quanto qualquer outro.

As consequências para o movimento são ainda piores: o fato de ele não aceitar qualquer autoridade do Estado e não seguir nenhuma lógica faz com que seja vulnerável – perdendo, assim, simpatia. Quem vai apoiar um protesto que visa incendiar edifícios, impedir violentamente o acesso de funcionários administrativos a seus locais de trabalho, bloquear ruas, perturbar testes de exames e até mesmo impedir eleições democráticas? Nesse contexto, a reivindicação de por um fim à corrupção e à impunidade no México é perdida completamente de vista.

Quando não se tem um objetivo, a indignação não dura para sempre e o protesto degenera em ritual. Um movimento que, além da anarquia, não tem nada a oferecer não pode esperar por amplo apoio, nem nacional nem internacional.

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