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Mundo

Opinião: Lukashenko, o eterno presidente

Pela quinta vez, bielorrusos elegem Alexander Lukashenko para a presidência. Eleição lembra os "melhores momentos" da União Soviética, opina o correspondente em Moscou, Yuri Rescheto.

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Rescheto é correspondente-chefe da DW em Moscou

Mas que surpresa! Batka continua sendo Batka, o paizinho – como Alexander Lukashenko é chamado em sua terra natal – continua sendo presidente de todos os bielorrussos. Essa vitória com mais de 80% dos votos me fez lembrar da minha infância.

Eu também nasci na então União Soviética, assim como Lukashenko. E eu me sinto agora, 40 anos depois, de volta aos velhos tempos, quando os comunistas também ganhavam as suas eleições, também perfeitamente encenadas, com mais de 80% dos votos.

Eu vi os mesmos carros coloridos e enfeitados, com os mesmos alto-falantes, passando pelas mesmas ruas praticamente vazias de Minsk, chamando as pessoas para participar da eleição.

Nas emissoras públicas de televisão, eu vi as mesmas reportagens elogiando as supostas conquistas de mais de duas décadas de governo de Batka.

Eu vi as mesmas lojas nas proximidades das seções eleitorais, atraindo, com seus descontos, as pessoas para as urnas.

Eu vi os mesmos shows de música pop realizados em agradecimento por cada voto depositado nas urnas pela população. Bandeiras foram agitadas, e fogos de artifício iluminaram a noite da eleição.

Essas eleições foram dignas da União Soviética tanto na organização como no respeito à democracia. Sim, havia uma oposição. Ela se resumia a três candidatos, totalmente fracos e desconhecidos. Sim, eles eram autorizados a aparecer na televisão, mas sem aviso prévio e em horários impossíveis. Sim, houve alguns milhares de manifestantes no coração de Minsk, mas só por algumas horas.

E a lei bielorrussa que autorizava os eleitores a votar já a partir de 6 de outubro, quer dizer, cinco dias antes das eleições, ajudou Lukashenko a somar votos de forma descontrolada.

Essa pré-votação não foi acompanhada pelos observadores internacionais, já que eles chegaram ao país em 8 de outubro. Nesse meio tempo, mais de 20% dos votos já tinham sido depositados nas urnas – e, sabe-se lá como, contados.

Para não cometer nenhuma injustiça, é necessário dizer que a oposição também cometeu erros: falta de candidato único e de estratégia, excesso de lealdade ao governo.

E assim sobra para os bielorrussos o seu onipresente Batka, o eterno presidente Lukashenko. E, depois de uma eleição desleal, Belarus continua sendo um país antidemocrático no meio da Europa. Surpresa? De jeito nenhum!

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