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Mundo

Opinião: Kremlin está impotente na Venezuela

O país sul-americano preocupa a Rússia, que teme mais um levante antiautoritário no mundo e a perda de seu aliado no petróleo. Jornalista Konstantin von Eggert prevê o fim do drama: Maduro e Putin saem perdedores.

Nicolás Maduro (esq.) numa de suas diversas visitas ao Kremlin

Nicolás Maduro (esq.) numa de suas diversas visitas ao Kremlin

"Os governos socialistas tradicionalmente fazem uma bagunça financeira. Eles sempre acabam ficando sem o dinheiro dos outros." Essa citação da ex-premiê britânica Margaret Thatcher é talvez a melhor descrição do que aconteceu na Venezuela, nos governos do falecido Hugo Chávez e de seu sucessor, Nicolás Maduro.

O assim chamado "socialismo bolivariano" está implodindo sob o número crescente dos que não aguentam mais a inflação galopante, abastecimento deficiente e violência desbragada das autoridades criminais. Ao regime Maduro restam duas possibilidades: ou renunciar imediata e espontaneamente (o que é improvável), ou se transformar numa ditadura declarada e depois entrar em colapso (o que é mais provável).

Jornalista Konstantin von Eggert é apresentador da TV Dozhd e autor de coluna semanal para DW-Rússia

Jornalista Konstantin von Eggert é apresentador da TV Dozhd e autor de coluna semanal para DW-Rússia

O fantasma de uma "Maidan latino-americana" – a Praça da Independência de Kiev onde começaram os protestos contra o governo pró-Kremlin da Ucrânia – deixa nervoso o governo russo. Ele teme todo movimento popular antiautoritarismo, não importa em que país do mundo.

A Venezuela, no entanto, é um caso especial: por mais de 15 anos, Moscou esteve ao lado, primeiro de Chávez, e depois de seu sucessor. E isso não só pelo desejo de apoiar um inimigo dos Estados Unidos – um tema que a Rússia persegue sem cessar.

Há um outro motivo: a companhia estatal de petróleo venezuelana PDVSA é a segunda mais importante parceira da petroleira estatal russa Rosneft, depois do conglomerado americano ExxonMobil. A Rosneft tem grandes planos na nação com as maiores reservas do ouro negro no mundo e tem privilégios locais. A Venezuela é o país onde o presidente da Rosneft, Igor Sechin, quer provar do que é capaz, fora da Rússia, a empresa controlada por ele e pelo Kremlin.

Só por isso Moscou ajuda os chavistas. Ainda em 10 de julho, o presidente russo, Vladimir Putin, falou ao telefone com Maduro. Segundo fontes oficiais, ambos conversaram sobre planos conjuntos ligados à energia.

Mais provável, porém, é Maduro ter pedido a Putin para reestruturar a dívida estatal venezuelana com a Rússia, totalizando 1 bilhão de dólares. Talvez ela até seja inteiramente perdoada. Além disso, a Rússia conta entre os poucos Estados que respaldam a tentativa do venezuelano de reescrever a Constituição de seu país e de destituir o Parlamento eleito.

Os EUA sustentam sanções tanto contra Caracas quanto contra o Kremlin. Por isso, Moscou experimenta agora uma solidariedade especialmente intensa com Maduro. O Kremlin gostaria de fazer mais do que rolar dívidas e pronunciar palavras vazias de apoio.

Ajuda militar, Moscou não poder oferecer ao regime venezuelano, que também não precisa dela. Pois não é necessário instar Maduro a empregar violência contra a oposição, como foi o caso de Viktor Yanukovych na Ucrânia: o líder chavista está, por si só, mais do que disposto a prender e matar os oposicionistas.

O Kremlin só pode aguardar o fim do drama na nação da América do Sul e se perguntar se o presidente americano, Donald Trump, vai impor um embargo contra o petróleo venezuelano. Isso provavelmente acarretaria a rápida queda do regime Maduro, mas também atingiria os consumidores do combustível venezuelano.

O fim de longo prazo do drama na Venezuela está claro: o regime Maduro vai renunciar. A questão é só quando, e quantos ele ainda vai levar junto para o túmulo, até lá. Depois disso, um novo governo pró-Ocidente mudará radicalmente a política venezuelana para a Rússia, revogará o reconhecimento diplomático da Abkházia e da Ossétia do Sul – ambas regiões separatistas da Geórgia –, com o qual, na época, Hugo Chávez prestou um grande serviço a Putin.

Por último, mas não menos importante, a posição da Rosneft ficará igualmente abalada, ela talvez tenha até mesmo que se retirar do país sul-americano. Quem pode lucrar com a ascensão oposicionista na Venezuela será uma outra parceira da estatal russa, a ExxonMobil.

No passado, Chávez expulsou a multinacional americana, e o retorno dela seria um final brilhante e irônico para a inglória aventura russa na Venezuela. Apostar numa ditadura acaba por prejudicar a reputação e os negócios. Essa lição, o pessoal do Kremlin provavelmente não vai nunca assimilar.

O jornalista russo Konstantin von Eggert é apresentador da TV Dozhd e autor de uma coluna semanal na DW-Rússia.

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