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Mundo

Opinião: Iniciativa de paz de Merkel merece respeito

Apesar das incertas perspectivas de sucesso, a iniciativa da chanceler federal alemã, Angela Merkel, e do presidente francês, François Hollande, no conflito da Ucrânia está correta, diz articulista da DW Michael Knigge.

Deutsche Welle Michael Knigge

Articulista da DW Michael Knigge

Apesar das incertas perspectivas de sucesso, a iniciativa da chanceler federal alemã, Angela Merkel, e do presidente francês, François Hollande, no conflito da Ucrânia está correta, diz articulista da DW Michael Knigge.

A missão de última hora que levou nos últimos dias a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, primeiramente a Kiev e depois a Moscou mostra quão dramática é a situação na Ucrânia. Recentemente, os separatistas apoiados pela Rússia não somente ganharam terreno, como também assumiram claramente a superioridade militar.

O fato de supostos separatistas desorganizados poderem afetar seriamente um país da dimensão da Ucrânia fala por si: a Rússia apoia os separatistas com todos os meios disponíveis. Atualmente, ninguém mais duvida seriamente disso.

Devido a esse desequilíbrio militar, o Exército ucraniano corre o risco de perder ainda mais terreno, o que – caso venha a continuar – põe em risco a integridade da Ucrânia a longo prazo. Para evitar isso, aumentam as exigências, principalmente nos EUA, com vista ao fornecimento de armas à Ucrânia. Somente assim, argumentam os defensores da ideia, é possível conter o presidente russo, Vladimir Putin, e evitar uma divisão de fato da Ucrânia.

Até agora, o presidente americano, Barack Obama, não se posicionou claramente sobre a questão. Mas está claro que Washington não descarta mais nenhuma opção, mesmo que se continue a ressaltar que o conflito, em última instância, só pode ser resolvido diplomaticamente.

É justamente aqui onde entra a chanceler federal alemã. Ela concorda com a avaliação dos EUA de que, no conflito com os separatistas, a Ucrânia está em posição irremediavelmente inferior. Na sessão de perguntas e respostas após o seu discurso na Conferência sobre Segurança de Munique, neste sábado (07/02), Merkel deu provas disso de forma impressionante. Ao mesmo tempo, Merkel não acredita que este desequilíbrio possa ser eliminado por meio de fornecimentos de armas à Ucrânia.

Fornecer ainda mais armamentos para regiões em crise não vai melhorar a situação, mas somente acirrá-la. A chanceler federal está convencida: o conflito só pode ser resolvido através de negociações.

Infelizmente, fora da Europa, Merkel está cada vez mais isolada com essa visão. Até agora, a partir de sua posição de força militar, o presidente russo Putin tem mostrado claramente com suas ações o que ele pensa das tentativas de negociação: nada. Mesmo duras sanções e um dramático declínio do rublo não conseguiram fazer com que Putin cedesse. Isso foi notado atentamente nos EUA e levou à atual mudança de estratégia ali registrada. A conclusão é que Putin não reage a negociações. Para muitos em Washington, a única possibilidade de forçá-lo a repensar a sua posição está no fornecimento de armas à Ucrânia.

Aqui também Merkel concorda com a primeira parte da análise americana. Ela não esconde o fato de que, até agora, Putin ignorou todos os resultados das negociações. Pelo contrário: Merkel admite isso claramente. E, da mesma forma, ela também admite não existir nenhuma garantia de que os esforços de negociações, dela e de François Hollande, levem a algum resultado significativo e que, desta vez, Putin vai considerá-los.

O senador americano John McCain acusou o governo alemão de não fazer a menor ideia da situação ou não se importar com a matança de pessoas na Ucrânia. Uma crítica clara à missão de Merkel não é só algo legítimo, mas também lógico. As acusações de McCain, no entanto, vão muito além do nível aceitável de crítica. Assim, o senador se desacredita a si próprio, mesmo que ganhe pontos dentro dos EUA.

No conflito da Ucrânia, o Ocidente se encontra numa situação paradoxal. Se nada acontecer, o avanço dos separatistas vai continuar. Se o Ocidente fornecer armas, paira a ameaça de uma escalada da violência, algo que o americano comandante em chefe das forças da Otan na Europa já deixou bem claro. O resultado é incerto.

A missão de Merkel é uma tentativa desesperada de encontrar uma saída para essa situação. O objetivo é evitar um desvio aparentemente inexorável rumo a uma guerra aberta, por meio de uma solução negociada. A arriscada manobra de última hora de Merkel merece respeito. Porque o tempo está passando. A época de uma "guerra total", como o presidente francês Hollande expressou recentemente, poderia vir em breve.

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