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Alemanha

Opinião: Imigração criminosa foi ignorada

Assédios em Colônia mostram que crescente imigração deve ser acompanhada de nova mentalidade e modo de agir, o que inclui uma polícia mais eficiente e regras de deportação mais duras, opina o jornalista Volker Wagener.

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Volker Wagener é jornalista da redação alemã da DW

Bêbados e protegidos pela noite, eles meteram a mão por baixo de saias e blusas. Isso aconteceu muitas vezes e no centro de Colônia. Sobre os criminosos não restam dúvidas: eles são homens, jovens e de aparência árabe ou norte-africana. Com isso, o tom do debate sobre imigração e refugiados alcançou um novo patamar. Nas redes sociais, um pandemônio se instaurou.

Os excessos sexistas se tornaram públicos apenas dias depois de terem ocorrido. E não foi a polícia que trouxe à tona essas monstruosidades, mas as mulheres, as vítimas, que com suas denúncias chamaram a atenção para um tema que coloca em risco a nossa paz social.

Pois a

noite das matilhas desenfreadas diante da Catedral de Colônia

está dentro do contexto de um tema que se sobrepõe a todos os outros: o dos refugiados. Esse tema divide a sociedade alemã como quase nenhum outro antes dele. A origem geográfica dos criminosos e o seu comportamento são lenha na fogueira de uma sociedade já tensa.

Era só o que faltava depois do histórico ano de 2015. Mais de 1,1 milhão de refugiados acham a Alemanha tão atraente que só aceitaram serem evacuados para o país – e esse é o número de apenas um ano. A duras penas, o governo alemão tenta há meses restaurar uma harmonia social ferida. Defensores de uma sociedade tolerante e aberta precisam toda hora se defender dos ataques vindos do campo xenófobo, que inclui desde os membros latentes até os explícitos.

Agora, depois dos acontecimentos em Colônia, o clima dentro da sociedade ameaça virar. Quando preconceitos contra "os estrangeiros" são novamente moeda corrente, de pouco adiantam os alertas contra os perigos da generalização. Na internet, a incitação contra refugiados e "os asilados" supera tudo em agressividade. A xenofobia está de novo em alta.

Esse fenômeno não deve desviar a atenção de que o problema da migração criminosa foi durante muito tempo ignorado. Certamente não havia apenas pais de família bem-intencionados entre os refugiados que chegaram à Alemanha. Os criminosos de Colônia eram jovens e homens, e a grande maioria dos recém-chegados também é. O problema de que alguns refugiados trazem para a Alemanha normas machistas de legitimação da violência que existem no mundo muçulmano não passou a existir depois de 2015 – ele já existia antes, com o crescimento da população alemã por meio da imigração oriunda de países islâmicos. Isso exige uma nova mentalidade e um novo modo de agir.

E disso faz parte também o fortalecimento da polícia. Como é possível que dezenas de mulheres estivessem expostas, totalmente indefesas, aos seus agressores? Nada é mais contundente do que a resposta de uma policial, que sem rodeios chamou a impotência dos defensores da ordem pública pelo nome: chegamos ao nosso limite, crimes são apenas registrados, disse ela. O sindicato da polícia teme que nenhum dos casos registrados em Colônia leve a uma condenação. Simplesmente falta pessoal para que a ação contra os criminosos se torne efetiva. Um diagnóstico como esse definitivamente não combina com as novas condições sociais da Alemanha.

As regras de deportação também são difíceis de entender. Chega a ser uma ofensa à inteligência que imigrantes que cometeram crimes – de forma inquestionável e até mesmo várias vezes – não possam ser deportados. Qualquer cidadão que se mete numa briga de bar ganha uma proibição de retornar ao local. Quem solta fogos num estádio de futebol é barrado nos próximos jogos. Já refugiados e requerentes de asilo precisam cometer um assassinato para serem expulsos. Depois de Colônia, cada vez menos alemães vão entender essa lei.

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